10 de julho de 2026
Geral

Setor produtivo cobra 'lição de casa' para impulsionar o desenvolvimento

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Para que Bauru possa retomar seu desenvolvimento econômico, o próximo prefeito terá de fazer a 'lição de casa', ou seja, atender primeiramente demandas básicas dos setores produtivos. É o que apontam representantes da indústria, comércio e agropecuária, ouvidos pelo JC nesta segunda reportagem de uma série que aborda as possíveis soluções para que a cidade possa a voltar a crescer com geração de emprego e renda, sustentabilidade e qualidade de vida.

Para o diretor do Departamento de Ação Regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, a próxima administração municipal não precisará lançar mão de iniciativas grandiosas para estimular o setor, tão pouco projetar o desenvolvimento da cidade a partir da atração de grandes empresas.

"O foco é incentivar os pequenos empreendimentos. Nenhuma empresa nasce com 200 funcionários. Precisamos pensar nas que começam com 10, 20 e que podem ter um futuro promissor", pontua.

Simonelli destaca, ainda, a necessidade de a prefeitura garantir a concessão de lotes em áreas que contem com infraestrutura, como rede de água e esgoto, energia elétrica e pavimentação, para a instalação de novas empresas na cidade. "O problema é que, em Bauru, não há áreas disponíveis, com documentação em ordem. A prefeitura precisa, primeiro, 'arrumar a casa', e não pensar em soluções mirabolantes", acrescenta.

INFRAESTRUTURA

Apesar de estar no centro do Estado, ponto estratégico para escoamento de mercadorias, Bauru ainda carece de benfeitorias básicas, como infraestrutura adequada nos distritos industriais, especialmente o 2, que está em piores condições, conforme o JC divulgou no mês passado. Além de reiterar esta queixa, o diretor da regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Gino Paulucci Júnior, acrescenta que a administração municipal precisa, mais do que ouvir, acolher as demandas.

"O diálogo foi sempre aberto, mas a impressão é que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico não encontra respaldo junto à prefeitura para implantar medidas mais efetivas. Se isso não mudar, além de não atrair novas empresas, Bauru continuará perdendo empresas aos municípios vizinhos. Se seguir neste ritmo, está fadada a se tornar cidade-dormitório", pontua. Já em termos macroeconômicos, Paulucci destaca a necessidade de aprovação das reformas tributária e administrativa.

COMÉRCIO

Para favorecer o aquecimento do setor comercial, Walace Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio), aposta na revitalização do Centro a partir do repovoamento desta região. Para tanto, o município teria de oferecer incentivos para que as construtoras invistam em empreendimentos residenciais naquele local.

"É um processo que está em curso, por exemplo, em São Paulo. Imóveis em desuso dão lugar a prédios de apartamentos menores, com áreas comuns menores e menos vagas de estacionamento, onde pessoas que já trabalham no Centro poderiam morar. Caberia ao município mudar algumas exigências para permitir este tipo de construção", frisa, salientando que, ao estabelecer vida noturna no Centro, toda uma cadeia de serviços também se estabeleceria no entorno, permitindo, inclusive, o funcionamento das lojas em horário estendido.

AGROPECUÁRIA

O reaquecimento da atividade comercial e de serviços, por consequência, contribuiria para o aumento das vendas dos pequenos produtores agrícolas de Bauru, que vendem a maior parte de sua produção para a Ceagesp, restaurantes e pequenos mercados. Diretor do Sindicato Rural de Bauru, José Maurício Lima Verde Guimarães reivindica, contudo, um olhar mais atento do município ao setor, historicamente relegado ao segundo plano em relação a políticas públicas municipais.

"Manutenção de estradas rurais nada mais é do que obrigação. Os produtores, as associações e sindicatos precisam ser ouvidos", frisa. Segundo Guimarães, entre as estratégias que poderiam ser adotadas, está a oferta de cursos e suporte técnico para impulsionar o desempenho das pequenas propriedades e melhorar a gestão destes negócios, já que a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento está enxugando sua estrutura em todo o Estado.