10 de julho de 2026
Geral

Sobram vontade e potencial, mas falta apoio técnico nas hortas do MCMV

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

O alimento e o sustento que vêm da terra! Oito dos 18 empreendimentos do Minha Casa Minha Vida (MCMV) em Bauru continuam semeando e regando um projeto que teve início em 2013 e até ganhou projeção nacional em um concurso federal. O cultivo de hortas sociais nos bairros proporciona opção de alimentação mais saudável, preços abaixo do valor de mercado e geração de renda. O JC voltou a visitar este trabalho sete anos após seu surgimento. Apesar do bom andamento, os envolvidos dizem que, hoje, falta apoio técnico municipal para fazer o programa crescer.

Segundo Vanessa Ramos, assistente social do MCMV, as hortas não atendem só os beneficiários do programa, mas toda a comunidade. Uma destas unidades, situada no Residencial Sant'Ana, Jardim Chapadão, é uma extensão do lar de Antônio Luiz da Silva, 75 anos, nordestino de criação, mas bauruense de coração. Ele se dedica à plantação e colheita dos produtos que alimentam dezenas de famílias de baixa renda.

Segundo Antônio, as hortas produzem repolho, alface, berinjela, coentro, cenoura, cheiro-verde, chicória, salsinha, rúcula, rabanete, almeirão e brócolis. A cultivada no Sant'Ana deve dobrar de tamanho ainda este ano. O terreno já está preparado, dentro do próprio condomínio.

Além disso, outra área anexa virou um pomar urbano com frutas nativas do cerrado, entre elas acerola, araçá, goiaba, grumixama e pitanga.

MÃO DE OBRA

Vanessa explica que as vendas ocorrem diariamente na própria horta e ainda há grupos em redes sociais. Os locais ainda são estruturados para irrigação e, assim, não são tão impactados pela falta de chuva.

Contudo, ela pontua o que falta para o projeto avançar e os produtos ganharem ainda mais qualidade. "Precisa investir em mão de obra profissional. Partindo do município. O Antônio, assim como os outros produtores do programa, fez o curso básico de agricultura. Foi muito bom, mas há necessidade de um técnico agrícola especialista para visitar as hortas e fazer controle específico de pragas. Porque tudo aqui é 100% natural. Não há uso de defensivos agrícolas. Assim, esta é mais uma pauta a ser observada na discussão por melhorias da cidade, já que o programa tem potencial de expandir o número de produtos, produtores e abastecer cada vez mais famílias nos bairros".

PERDA E PRAGA

Antônio recorda que já perdeu 50 pés de alfaces de uma só vez por causa de uma praga que ele não tinha o conhecimento para combater. "Essa é a nossa maior dificuldade, suporte técnico. O resto administramos bem", frisa.

Vanessa Ramos acrescenta que as hortas do MCMV precisam de políticas públicas. "Definir mais responsáveis e funções. Se este trabalho tiver a atenção necessária, vai trazer muitos benefícios", comenta a assistente social.

RECONHECIMENTO

O programa de hortas do MCMV começou em 2013, "estreando" no condomínio do Jardim Ivone, sendo finalista do concurso de Melhores Práticas em Gestão Local, realizado pela Caixa Econômica Federal em 2015.

Naquele ano, foram 250 projetos inscritos em todo o País. A horta social, fruto do trabalho técnico-social do MCMV, era realizada pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), e se classificou entre as 35 melhores iniciativas na época.

O trabalho tem potencial de expansão. Vontade dos "horteiros" não falta. Entretanto, houve mudanças no meio do caminho e que prejudicaram os trabalhadores. Recentemente, a horta do MCMV foi desvinculada destas duas secretarias. Hoje, o que existe é uma equipe ligada ao Gabinete do Executivo.

Conforme o JC apurou, a Sagra possui dois técnicos agrícolas e um veículo. Eles, porém, não dão suporte às hortas do MCMV, tendo os próprios "horteiros", uma vez por mês, que custear este serviço de forma particular, ou seja, pagando do próprio bolso.

GESTÃO

Em seu surgimento, houve edital de licitação para cercado, irrigação, lavagem e cursos com agrônomos. Na época, tudo com recurso federal do MCMV. Atualmente, o serviço social desta equipe do programa faz a gestão de acompanhamento da produção e o escoamento dos produtos para moradores do residencial e do bairro. 

Todo o valor obtido com as vendas é transformado em recurso para a manutenção da própria horta e custeio da mão de obra dos agricultores.