09 de julho de 2026
Esportes

Lakers desafiam NBA e transitam entre eras do basquete

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

O Los Angeles Lakers conquistou o título da NBA, neste domingo (11), mostrando ser capaz de enfrentar todo tipo de adversário. Com estatura no garrafão para incomodar os rivais e agilidade para caçar jogadores longe dele, o time teve a força de um basquete que parecia fora de moda sem deixar de se ajustar aos aspectos mais modernos do jogo. A equipe, que havia ficado com o título pela última vez em 2010, derrotou o Miami Heat por 106 a 93, em Lake Buena Vista, e fechou em 4 a 2 a série melhor de sete partidas da decisão.

Em uma era na qual os pivôs tradicionais estão em extinção, o time dirigido por Frank Vogel revezou JaVale McGee, de 2,13 m, Dwight Howard, de 2,11 m, e Anthony Davis, de 2,08 m, na posição. Com isso, protegeu a própria cesta e levou vantagem nos rebotes sobre todas as equipes enfrentadas nos playoffs.

Invertendo a lógica de uma liga cada vez mais voltada ao perímetro, os Lakers construíram sua superioridade sobre Portland Trail Blazers, Houston Rockets, Denver Nuggets e Miami Heat - com 16 vitórias em 21 jogos nos mata-matas- pontuando no garrafão. Isso não significou abrir mão do arremesso de três pontos, mas era notória a diferença de estilos. "Nós queremos ser o time mais físico da quadra toda noite, não importa quem esteja do outro lado", afirmou Vogel, durante o duelo com os Nuggets, repetindo uma mensagem que passou desde a pré-temporada.

Na final, a equipe de Los Angeles enfrentou um Miami cujo pivô titular tinha 2,06 m, Bam Adebayo. É a mesma altura de LeBron James, que estava atuando nos Lakers como armador, tradicionalmente a posição com os atletas mais baixos. Diante dessa diferença, nenhuma estratégia dos oponentes teve sucesso duradouro. O Portland procurou igualar a questão jogando com dois pivôs. O Houston atuou com nenhum. Denver usou um pivô passador, que se alternava entre o garrafão e a linha de três. Miami tentou uma marcação por zona -que havia funcionado na final do Leste, contra o Boston Celtics - e logo desistiu. Nada funcionou. O Heat ainda lançou mão de uma formação de menor estatura na esperança de levar vantagem na velocidade. A lógica era: se eles são maiores, eu posso ser mais ágil. O problema é que os Lakers não eram apenas mais altos; eles eram mais altos, mais fortes e também mais rápidos, capazes de frustrar diferentes apostas.

Na série contra os Rockets, por exemplo, Frank Vogel fez ajustes para encarar um time de formação incomum, que atuava sem ninguém no garrafão ofensivo e apostava no volume de arremessos de três. O treinador acabou abrindo mão de McGee e Howard, que tinham dificuldade para marcar longe da cesta, mas manteve uma presença massiva perto do garrafão, Davis. Ficou fácil. A chave está na versatilidade de Davis e na de LeBron, tanto na defesa quanto no ataque. Davis era um armador que cresceu tardiamente e carregou os macetes da posição quando se tornou pivô. LeBron é um fenômeno da natureza, capaz, perto de completar 36 anos, de se impor fisicamente sobre rivais em todas as partes da quadra. Assim, mesmo nas situações em que precisou abrir mão de um pouco de sua estatura por circunstâncias dos jogos, os Lakers continuaram um time alto, forte e veloz, sempre com vantagem nos rebotes e contra-ataques. Com as estrelas mais maleáveis, conseguiram fazer valer sua força e frustraram equipes com elencos teoricamente mais adaptados ao jogo moderno. "Desenhamos plano que nos deu flexibilidade. Poderíamos enfrentar times menores com o Anthony na posição 5 (pivô) ou resolver jogar com uma formação grande, com dois pivôs", explicou Vogel, que voltou a diminuir a estatura da equipe no duelo final.