10 de julho de 2026
Regional

Após 11 anos, vítima de estupro em Agudos vê seu agressor preso

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - Nesta quarta-feira (14), após 11 anos de espera, uma vítima de estupro ocorrido em 2009, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), pôde finalmente ver seu agressor preso.

O homem, hoje com 33 anos, só foi identificado porque cumpria pena por outros crimes sexuais e participou de mutirão de coleta de DNA feito em 2019 pelo Instituto de Criminalística (IC) em unidades prisionais paulistas.

O confronto do material genético dos detentos com o de vítimas de estupros não esclarecidos comprovou que o homem violentou sexualmente a moradora de Agudos. Ontem, ela passou mal ao reconhecer pessoalmente o seu agressor.

Segundo o delegado titular de Agudos, Jader Biazon, o crime ocorreu na madrugada de 30 de setembro de 2009, no bairro CDHU, quando a vítima, na época com 20 anos, retornava para casa a pé com um sobrinho de 7 anos.

Ela contou à polícia que foi rendida por um homem, agredida com socos e chutes e estuprada ao lado da criança. Na ocasião, ele chegou a derrubar o menino e ameaçou matá-lo caso a jovem reagisse.

Após o crime, a mulher procurou a polícia e foi levada ao hospital para a realização de exame de corpo de delito e coleta de material genético do autor.

No mesmo dia, de acordo com o delegado, após o registro da ocorrência, a vítima avistou um homem perto do local do ataque e o reconheceu como seu agressor.

Preso em flagrante, ele foi solto quatro meses depois, quando laudo do IC apontou que não era autor do estupro.

"Imediatamente, nós comunicamos esse fato ao juiz e ele foi posto em liberdade. Posteriormente, acabou sendo absolvido", conta.

"E, como naquela época, não havia qualquer outra informação ou qualquer indício de autoria de um terceiro suspeito, as investigações foram suspensas". Um segundo suspeito chegou a ser identificado e detido por indicação desse preso, mas não houve o reconhecimento por parte da vítima.

MUTIRÃO

Biazon revela que este caso de violência sexual começou a se aproximar de um desfecho há cerca de uma semana, quando recebeu expediente do Núcleo de Biologia e Bioquímica do IC da Capital.

"No ano passado, eles fizeram mutirões nas penitenciárias do Estado de São Paulo, em atendimento à Lei de Execução Penal, para fins de criação do Banco de Perfis Genéticos de sentenciados, especialmente por crimes sexuais", diz.

"Foram coletadas cerca de 10 mil amostras de perfis genéticos e esses perfis foram confrontados com perfis genéticos de vítimas de estupros cujos casos ainda não haviam sido esclarecidos, desde 2006. Esses perfis estavam armazenados no IC. Ao todo, foram 65 casos esclarecidos. Dentre esses casos, havia o caso dessa jovem de Agudos, de 2009. As investigações foram reabertas e foi instaurado um novo inquérito policial".

Segundo o delegado, o autor do estupro realizou o exame quando estava preso na Penitenciária de Iaras por conta de dois crimes sexuais, uma tentativa de estupro ocorrida em 2011, em Agudos, e outra tentativa de estupro ocorrida em 2016, em Pederneiras.

"O perfil genético dele coincidiu com perfil genético da amostra de sêmen coletada da vagina da vítima, concluindo que ele era o autor desse estupro de 2009", explica.

Em maio deste ano, o homem, que não teve o nome divulgado, obteve progressão de regime e passou a cumprir pena em prisão domiciliar. A Polícia Civil de Agudos apurou que ele estava morando com os pais na cidade e, com base na prova material do crime cometido por ele em 2009, representou pela decretação da sua prisão temporária, por 30 dias. O mandado foi expedido na quinta-feira (8) e cumprido no mesmo dia.

Ontem, ocorreu o reconhecimento pessoal na delegacia por parte da vítima e o inquérito foi concluído pela Polícia Civil.

"A vítima reconheceu ele e ficou bastante abalada. Ele foi interrogado, indiciado pelo crime de estupro e já representei pela decretação da prisão preventiva dele", afirma o delegado.

Até o fechamento desta edição, a Justiça não havia se manifestado sobre o pedido de prisão preventiva.