08 de julho de 2026
Ser

Controle na palma da mão

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

Limitar o uso de telas - sejam celulares, videogames ou computadores - é difícil para quase todas as famílias. Na casa de Marcelle Chagas, o pequeno Ruan Carlos, 5 anos, não gosta nem um pouco quando chega a hora de deixar o smartphone. Segundo a mãe, mesmo sabendo que só pode usar o celular por duas horas, ele faz pirraça quando seu tempo de usar acaba.

Na família de Geiza Porto, um tablet dado de presente ao filho mais velho gerou até uma briga conjugal. O pai achava que não havia problema, mas ela, que controla com pulso mais firme as crianças, deu sumiço no aparelho. Para deixar as crianças longe das telas, a solução na casa é investir em atividades lúdicas.

"Tenho o hábito de todo o fim de semana reservar um tempo para que eles tenham uma atividade ao ar livre ou algo em casa, como plantar, algo manual, uma atividade que seja na contramão. Quando estou sem dinheiro, uso a imaginação", conta.

O problema é tão sério que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reeditou um guia de orientação aos pais sobre o uso de telas. Para algumas pessoas, os limites - que vão até 3 horas diárias de uso - são muito rígidos para a realidade das famílias brasileiras. Segundo Luci Pfeiffer, do Grupo de Trabalho de Saúde na Era Digital da SBP, os limites estabelecidos pelo manual seguem as orientações da Organização Mundial da Saúde. 

Os momentos de descanso são os mais afetados pelo uso descontrolado de celulares, principalmente entre os adolescentes. "A luminosidade atrapalha a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono. Soma-se a isso o fato de que os adolescentes naturalmente sentem sono mais tarde. São eles os que mais sofrem as consequências da privação de sono, como a falta de atenção", explica Christianne Bahia, neurologista responsável pelo setor de Sono do Serviço de Neurologia da UERJ.