Foi pelo YouTube que a influenciadora digital Camilla de Lucas ouviu falar, pela primeira vez, sobre laces, há alguns anos. "Eu via os cabelos de celebridades s sempre muito bonitos e bem cuidados. Mas elas mudavam de visual toda semana", relembra. "Sair do louro, ir para o preto e depois vermelho deixa o fio muito danificado, né? Mas o delas, não. Aí, achei um vídeo de uma youtuber falando sobre laces, essa peruca moderna. Foi quando entendi e conheci de verdade."
Hoje, ela tem uma coleção de mais de dez em seu arsenal de acessórios. Assim como Camilla, muitas outras mulheres têm aderido a essa possibilidade de mudar o visual sem ter de submeter os fios a agressões químicas e físicas. E não só. Quem passa por tratamentos quimioterápicos ou sofre de queda acentuada também pode encontrar nas laces uma aliada. O resultado é muito mais natural que os apliques de antigamente.
"Lace é uma peruca feita com uma tela que imita o couro cabeludo, por isso o resultado é tão natural. Em contato com a pele, o material se torna imperceptível, e você acha que o cabelo é da pessoa mesmo", explica a empresária Luana Moraina.
O início da relação de Luana com esse modelo foi mais ou menos parecido com o de Camilla. Foi também pelo YouTube que ela entendeu do que se tratava e ainda foi além: aprendeu também a confeccioná-los. Hoje, sua marca vende cerca de 25 unidades por mês, todas feitas à mão. É possível escolher (na Lacemaníacas ou outras lojas especializadas) os tipos front lace (cuja tela de resultado natural aparece só na parte da frente, ficando o resto da cabeça com o tecido de peruca normal) e full lace (toda feita com o material).
Em média, o preço do primeiro varia entre R$ 1.500 a R$ 3.500; a do segundo, de R$ 2 mil a R$ 5 mil. Quando feitas de cabelo humano, o céu é o limite para a criatividade. Com as dela, Camilla corta, tinge, faz chapinha, babyliss e o que mais der na telha. Se o cabelo for orgânico (como é chamado o fio não-humano usado nas laces), há mais restrições.
Apesar de, inicialmente, ter sido mais badalada sobretudo por quem está em transição capilar, a moda tem se expandido. "As perucas tipo laces entraram para trazer autoestima", diz Camila. Por aqui, o grande problema ainda é o preconceito.