11 de julho de 2026
Política

Parlamentares se articulam para retardar votação de senador

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília  - Para retardar a votação de afastamento por 90 dias do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro escondido na cueca e entre as nádegas, parlamentares da Casa articulam um movimento para que a análise seja feita primeiro no conselho de ética que, por causa da pandemia, está sem se reunir.

Os congressistas falam em mandar um recado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para limitar a ação do Judiciário sobre o Congresso. Na quinta (15), o ministro Luís Roberto Barroso determinou o afastamento de Rodrigues.

E na próxima quarta-feira os ministros do STF decidirão se esse afastamento, por 90 dias, será válido. 

Nesta sexta (16), Barroso enviou sua decisão para análise do plenário do Supremo. Ao falar do caso, disse que o afastamento era "a solução natural e óbvia". Luiz Fux, presidente do STF, marcou o julgamento para quarta-feira (21).

ALCOLUMBRE

O silêncio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em relação ao caso tem irritado senadores, que dizem esperar uma resposta ao que consideram interferência da corte no Senado.

Cabe à Casa a palavra final sobre manter ou não o congressista no cargo. Enquanto isso, Rodrigues segue com mandato.

CONSELHO PARADO

Parte dos senadores defende que, antes de ser afastado, como quer Barroso, Rodrigues seja julgado pelo conselho de ética. Com isso, contornariam a decisão, por ora monocrática, e dariam mais tempo a Rodrigues para se defender, antes de o caso ir ao plenário do Senado.

Apesar da repercussão, Alcolumbre não se manifestou a colegas em relação aos procedimentos que deverão ser tomados. Não tratou do assunto nem mesmo com congressistas em grupos de mensagens.

"Espero que o Davi reúna a Mesa [Diretora] e nos diga alguma coisa. Essa foi uma decisão monocrática e agora quem tem de falar é o Davi, que tem muita intimidade com o Supremo, desde questões de eleições a temas processuais", disse o senador Esperidião Amin (PP-SC).

Nem mesmo pelas redes sociais Alcolumbre se manifestou sobre o caso envolvendo o senador flagrado pela polícia escondendo dinheiro --foram encontrados R$ 33.150 na cueca, sendo R$ 15 mil entre as nádegas.

Integrantes da base aliada do governo defendem cautela no afastamento. Ao mesmo tempo, também cobram uma posição de Alcolumbre.

OUTRO LADO

Imerso na campanha de seu irmão, Josiel Alcolumbre (DEM) à Prefeitura de Macapá, o presidente do Senado deve voltar a Brasília apenas no final do fim de semana, segundo sua assessoria.

 O esquema pelo qual Rodrigues é alvo de investigação envolveria mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares. A CGU (Controladoria-Geral da União) também participa da apuração. Ele nega qualquer participação.