La Paz - O perfil pouco afeito ao confronto foi determinante para a escolha de Luis Arce, 57, como candidato à Presidência na Bolívia. O temperamento mais ameno do que o do ex-presidente e padrinho político Evo Morales deve ser uma marca do novo líder do país, caso as projeções de boca de urna sejam confirmadas.
Nas assembleias que o MAS (Movimento ao Socialismo) realizou para escolher quem disputaria o pleito, o nome de Arce se destacava não só pela atuação como titular da Economia, mas também pelo perfil afável.
A base do MAS e organizações sociais, por outro lado, preferiam o nome de David Choquehuanca, que acabou como candidato a vice na chapa da legenda. "Talvez o próprio Evo o preferisse, mas creio que a estratégia foi bem pensada. Sabia que Choquehuanca teria alta rejeição e poderia competir com a personalidade dele, por isso apostou em Arce", diz o cientista político Pablo Stefanoni.
DIFERENTE
Nas últimas semanas de campanha, Arce buscou se descolar de Evo, talvez em um gesto aos anti-evistas ou porque, de fato, pretende ser um presidente diferente do que foi o padrinho político.
Quando, na semana passada, Evo atacou a imprensa por "participar do golpe contra ele em 2019" e sugeriu "fazer algo com os veículos para que trabalhem em favor da Bolívia", Arce disse no dia seguinte que discordava da posição do ex-presidente e que "uma imprensa livre é essencial para a democracia".
A jornalistas, na madrugada desta segunda (19), o virtual presidente boliviano ainda fez autocríticas. Disse que o MAS "corrigirá seus erros numa nova administração" e que "aprendemos com o tempo e a experiência".
Também na última madrugada, em discurso a militantes do MAS que celebravam a provável vitória diante da sede do partido, em La Paz, Arce não mencionou o nome de Evo, distensionou a polarização e afirmou que seu governo seria para "todos os bolivianos, para recuperar juntos a democracia e a esperança".