08 de julho de 2026
Nacional

Brasil não compra CoronaVac

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desautorizar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em relação à compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac pelo Ministério da Saúde na manhã desta quarta-feira (21), a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o Instituto Butantan se pronunciaram e disseram receber com "surpresa e indignação" a declaração por parte do governo federal.

Em nota enviada à imprensa, emitida na noite desta quarta, as entidades disseram que a "postura vai na contramão de todos os avanços conquistados até aqui nas negociações", que contaram com reuniões presenciais entre Pazuello, Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Paulo, Dimas Tadeu Covas, diretor do Butantan, e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

DORIA

O governador de São Paulo, João Doria (PSBD), disse que a intenção dele e de mais 23 governadores é esperar ao menos até esta sexta-feira (23) para tomar uma medida sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro. Doria comentou sobre uma possível judicialização da questão e não descartou acionar o STF (Supremo Tribunal Federal). "Vamos esperar pelo menos 48 horas. Se até sexta-feira não houver nenhuma medida de recuo por parte do governo federal para fazer aquilo que deve fazer, apoiar as vacinas, inclusive a vacina do [Instituto] Butantan, que é a vacina do Brasil, nós saberemos quais medidas poderão ser adotadas", disse.

ANVISA

Após a nota do Butantan, a direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a quem compete avalizar ou não a eficácia de cada vacina,  afirmou em entrevista coletiva que a análise de vacinas contra o novo coronavírus será técnica, independentemente do laboratório e do país de origem do tratamento.

COM COVID

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não comentou as declarações do presidente porque foi diagnosticado com Covid-19. Ele afastou-se do trabalho e está em isolamento. O  ministro já havia tido febre e passado mal no início da semana, deixando, inclusive de participar de cerimônias públicas. Mas fez nesta terça-feira reunião por videoconferência com governos estaduais quando revelou que assinou protocolo de compra de 46 milhões de doses da vacina.

CHINA

Em comunicado, a embaixada do país asiático em Brasília defendeu a parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac e disse que Pequim tem compromisso de transformar imunizações contra a Covid-19 em bem público global. A nota lembrou que os ensaios clínicos da CoronaVac -parceria entre a chinesa Sinovac e o Instituto Butantan- estão avançando no Brasil e que espera que os resultados sejam positivos.

MORTE DE MÉDICO

O médico carioca João Pedro Rodrigues Feitosa, 28 anos, voluntário nos testes da vacina de Oxford, morreu em decorrência da Covid-19, no último dia 15. Segundo nota de pesar divulgada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde Feitosa estudou, ele estava atuando na linha de frente no combate ao novo coronavírus nas redes privada e municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Até o momento, aproximadamente 8 mil voluntários participaram de testes da vacina no Brasil. O estudo é randomizado e cego, ou seja, metade dos voluntários recebe o imunizante produzido por Oxford e a outra metade, não. Não se sabe oficialmente se ele recebeu a vacina ou um placebo.