11 de julho de 2026
Geral

Ministério Público apura demora em fila da região para a hemodinâmica

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Com apenas um de seus dois aparelhos de hemodinâmica funcionando, Bauru não tem conseguido dar conta da demanda regionalizada por cateterismos e angioplastias. Esta é a denúncia de autoridades da região e que virou alvo de apuração do Ministério Público (MP) Estadual. Em Lins (102 quilômetros de Bauru), promotor instaurou inquérito civil para apurar a demora do procedimento para pacientes internados e, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), a Promotoria estuda ajuizar ação contra o Estado. A Saúde estadual nega que haja demanda reprimida e diz que está à disposição do MP (leia mais abaixo).

Além de cateterismo e angioplastias, a máquina de hemodinâmica é essencial para o diagnóstico e tratamento de doenças obstrutivas nas artérias, como o infarto, AVC, aneurisma, isquemia e trombose.

SÓ UMA MÁQUINA

No início de 2019, Bauru possuía duas máquinas para atender a cidade e a região, que contempla o Departamento Regional de Saúde (DRS-6). Um aparelho ficava no Hospital de Base (HB) e o outro funcionava no Hospital Estadual (HE).

Em abril daquele ano, a máquina do Base quebrou e, em junho de 2019, foi a vez de o equipamento do HE parar de funcionar.

Com isso, Bauru e região ficaram sem o serviço via SUS, o que gerou ampla mobilização de entidades, conforme o JC noticiou. Após um hiato de meses, o aparelho do Base foi substituído por um novo e começou a funcionar no início deste ano, contudo, o do HE segue sem conserto ou troca.

NÃO DÁ CONTA

O problema é que, segundo autoridades, uma única máquina de hemodinâmica não tem suprido a demanda da região. "Desde o ano passado, temos pedido solução para o aparelho que quebrou porque apenas um não dá conta. A região de Bauru como um todo está com fila. O Estado sempre nos atendeu e temos grande expectativa de que não será diferente agora", frisa Ricardo Barbeiro, secretário municipal de Saúde de Lençóis Paulista.

Segundo ele, a fila de pacientes à espera de angioplastia e cateterismo em Lençóis era de 45 pessoas nesta quinta-feira (22). O problema, inclusive, foi levado por Barbeiro e por uma representante de Lucianópolis ao secretário executivo estadual de Saúde, Eduardo Ribeiro Adriano, em uma reunião que eles tiveram em São Paulo ainda ontem.

Também nesta quinta, a Prefeitura de Lençóis acionou a Promotoria da cidade relatando o problema e, em nota, o MP disse que analisa a possibilidade de ajuizar ação contra o Estado.

Em Lins, chamam a atenção três pacientes que estão internados na Santa Casa após sofrerem infarto e que, há aproximadamente 20 dias, aguardam pela vaga do cateterismo em Bauru. O promotor Shizuo Antônio Catelan Yano chegou a ser procurado pelo hospital e instaurou inquérito civil para apurar a situação, mas não deu mais detalhes por considerar ter sido decretado sigilo no caso.