09 de julho de 2026
Atitude

Medos e incertezas deixam as crianças mais estressadas

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

Dificuldade para dormir, diarreia ou prisão de ventre, dores de cabeça ou no peito, sensação de batimentos cardíacos acelerados. Estes são alguns dos sintomas do estresse nas crianças. O isolamento social necessário por causa da pandemia está sobrecarregando a saúde emocional não apenas dos adultos, mas também dos pequenos. A interrupção das aulas e as tentativas de retorno ainda incertas deixam os pequenos estressados, pois eles ficam sem saber quando voltarão a brincar com os coleguinhas que há tanto tempo não encontram. "Vi muitas crianças sendo atendidas na emergência com síndrome do pânico, agitação e estresse em decorrência da quarentena. Fazemos todos os exames necessários, como eletrocardiograma, raio-X e exame de sangue, para descartar todas as causas clínicas. Conversando com as crianças, percebemos que elas estão com medo de voltar para a escola, de perder os pais, e com isso ficam estressadas", relata Jessica Pinha, pediatra especializada em neonatologia e oncohematologia.

A médica destaca ainda que os sinais de estresse na criança podem aparecer também como alergias e lesões na pele, coceiras, regressão de comportamentos - como voltar a fazer xixi na cama, por exemplo - agressividade com os pais e os irmãos, irritabilidade, choro fácil, falta de apetite ou compulsividade na alimentação, e até mesmo maior necessidade de atenção.

DISCUSSÕES PIORAM SITUAÇÃO

O confinamento causado pela necessidade do isolamento social provocou muitas brigas e desentendimentos entre casais. As crianças, mesmo quando não presenciam a discussão dos pais, percebem que há algo de errado e sentem o clima pesado.

"Quando a criança está em um ambiente de tensão, ela também vai ficando tensa por dentro. É como se ela estivesse em um local não seguro, e isso a estressa. Mesmo que as crianças não vejam nada de errado, elas percebem a mudança de comportamento dos pais", alerta Natália Morandi, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, que complementa. "É por isso que quando iniciamos um tratamento com uma criança, precisamos tratar os pais também, pois às vezes o problema está em algo que acontece inconscientemente dentro de casa."