09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pandemia, solidariedade e as Eleições

José Eduardo Rubo - Setor Caridade, Diocese de Bauru
| Tempo de leitura: 4 min

Nunca vivenciei em meus quase 64 anos de idade uma situação como esta que hoje vivemos em função da pandemia causada pelo coronavírus. Mesmo durante a hiperinflação dos anos 80 ou nos tempos do sequestro incompetente e irresponsável da poupança dos cidadãos brasileiros na década de 90, não vi nem ouvi falar de qualquer coisa que pudesse se assemelhar a este "novo normal" que hoje se impõe a todos os cidadãos, sem exceção, ricos ou pobres. "O mundo nunca mais será o mesmo." É o que apregoam e, sinceramente, é como certamente vai ser daqui pra frente. Os ricos sempre acharão um meio de se defender, mas a população empobrecida, como a história sempre nos conta, será a que mais sentirá e sofrerá as consequências deste novo normal. Principalmente aquelas populações mais vulneráveis, empobrecidas e eternamente esquecidas pelo poder público.

Eternamente esquecidas por aqueles que se apresentam como gestores públicos, mas não as incluem em suas políticas públicas de governo. Não dão a devida importância às questões sociais crônicas comuns das cidades brasileiras. Falta de saneamento, ocupação irracional e descontrolada das áreas urbanas, falta de infraestrutura ou infraestrutura inexistente, etc. Tudo isso nos trazendo como consequência milhares vivendo em condições de extrema pobreza em nossa cidade. E são dezenas de milhares! Famílias inteiras em condição de vulnerabilidade, presas fáceis do tráfico de drogas, da prostituição infantil e adulta, da exploração do trabalho em condições análogas à escravidão. Uma população que, por diversas razões, muitas vezes opta por viver nas ruas. Nestes meses de pandemia e afastamento social, assistimos a essas pessoas se encontrarem ainda mais abandonadas e desassistidas ao perceberem que, nas ruas, não havia mais a quem pedir ajuda, pois estávamos todos recolhidos em nossas casas. Abandonados, não tinham a quem recorrer! Apesar do esforço dos servidores municipais envolvidos e, em especial, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), os recursos e infraestrutura oferecidos pelo poder público municipal eram evidentemente insuficientes para atender essa população. A sociedade civil, entidades assistenciais, grupos cristãos católicos, evangélicos, espíritas e de outras denominações religiosas, sensibilizados se puseram nas ruas a distribuir alimentos para essa população. Aproximou-se o inverno e a esta situação somou-se a necessidade de abrigá-los. Entraram em cena as Casas de Passagem e os Abrigos que rapidamente esgotaram suas vagas. Então a SEBES, viabilizou através de parcerias com entidades mantenedoras das Casas de Passagem e Abrigos, a abertura de mais 70 vagas emergenciais que se somaram às 100 já existentes, a fim de suprir a demanda, sendo 30 delas instaladas no ginásio Darcy César Improta. No ginásio, em parceria com o Serviço de Abordagem (Casa do Garoto), criou-se a infraestrutura necessária para receber aqueles que se encontravam naquela situação. Contratou-se pessoal especializado e envolveu-se outros tantos voluntários. Essas vagas, tanto as das Casas de Passagem e Abrigos quanto as emergenciais, são viabilizadas através da celebração dos chamados "Termos de Colaboração", que tem por objeto a execução de serviços e programas sócio assistenciais da Rede de Proteção Social Básica e Especial do Sistema Único de Assistência Social - SUAS no município. O chamamento das entidades, as Organizações da Sociedade Civil - OSC, se dá por edital, sendo que para o próximo ano de 2021, o Edital de Chamamento Público no. 390/2020, foi publicado no D.O.M. de 26/09/2020, prevendo as 100 vagas que já existiam antes do agravamento da situação pela pandemia. Não houve previsão para as 70 vagas emergenciais que foram criadas em 2020. Como disse no início "O mundo nunca mais será o mesmo!" Essas vagas farão falta. As pessoas que delas se utilizam continuarão precisando dessa assistência.

O que será delas em 2021? Qual é a Política Pública que norteará a Assistência Social em nosso município? Penso comigo se os atuais candidatos à Prefeitura Municipal estão sensibilizados com a questão aqui descrita. Se têm a dimensão do problema existente e do cinturão de pobreza que se formou em torno da cidade. Srs. candidatos: São aproximadamente 11 mil famílias vivendo em condições totalmente adversas em nossa cidade. Se cada família tiver em média 5 pessoas, então existem 55 mil pessoas vivendo em extrema dificuldade socioeconômica em nossa cidade! E qual é o plano, srs. candidatos?

O que vocês farão? Qual é a Política Pública proposta para impedir que essa situação permaneça ou, pior, que se agrave?