Quase insípido, não fosse por uma ou outra alfinetada, foi o debate entre candidatos a prefeito de Bauru, apresentado na última quinta-feira, 28/10, pela TV Band paulista. Dos 10 candidatos presentes, alguns destaques ficaram por conta da falta de experiência administrativa de pelo menos cinco candidatos que vão administrar Bauru sem a participação do Estado ou da Federação. Isto não quer dizer seguir o modelo dos Governos do Estado ou do Federal. Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento sabe que depende sim de verbas disponibilizadas pelos governos para que a cidade se desenvolva.
Outro ponto que chamou a atenção é que os problemas pontuais da cidade serão resolvidos como em um passe de mágica. E as questões mais complicadas e angustiantes para a população, como a Saúde, Educação, Saneamento Básico, Habitação, Transporte e geração de Emprego não foram aprofundadas. O fato é que todos têm a varinha de condão e basta um 'pirlim pim pim' que os problemas somem.
Propostas rasas para uma cidade como Bauru, que na década de 80 foi palco de sedes regionais dos principais órgãos públicos do País ou do Estado de São Paulo. Sedes regionais importantes como a Divisão Regional de Ensino, a Regional dos Correios, a Superintendência da Caixa Federal, a diretoria regional da antiga Caixa Econômica Estadual, só para citar alguns órgãos essenciais que colocavam Bauru no cenário nacional.
Nada de nível foi debatido. Diga-se de passagem, não foi bem um debate. O que se viu foi a presença de 10 candidatos ao cargo de prefeito, cada um defendendo o seu milagre para resolver as questões cruciais para a cidade. Até parece que Bauru não vai mais crescer. Aliás, esse é um hábito da maioria dos políticos, não só daqui, mas de quase todos os municípios, que é esquecer que a cidade cresce. Parece tudo estagnado. As obras feitas sob a terra não precisam ser bem feitas porque não aparecem e não dão votos.
Talvez o próprio formato do debate tenha contribuído para que os candidatos, em um curto tempo, não respondessem as perguntas e 'aproveitassem' o espaço apenas para dizer que são os mágicos da vez. O eleitor que assistiu, porque o horário também não ajudou, ficou na mesma, ou seja, nem conseguiu abrir o leque de opções considerando a falta de propostas consistentes. O foco ficou entre a fala fácil, o velho discurso de que o povo é soberano, quando não é, e, a falta de sequência no raciocínio de alguns que acham que administrar uma cidade é apostar na falta de informação da população.
A autora é jornalista, colabora com Opinião.