Desde pequeno, Tom Almeida, 49 anos, ouvia da mãe que ela ia morrer. Durante a infância, o Natal era uma época melancólica, uma vez que o medo de perder os pais, que tiveram o filho mais velhos, era constante. "Minha mãe carregava isso porque perdeu os pais muito nova e achava que o mesmo aconteceria com ela", diz. "Eu adorava o Natal, mas chorava muito. Olhava para os meus pais e pensava que eles não tinham morrido e temia que isso acontecesse no ano seguinte."
Medo e dor são sentimentos constantemente associados ao fim da vida. É com eles que Almeida recorda a partida da sua mãe, aos 84 anos. "Ela morreu sem conversarmos, fomos reféns do processo todo", diz, referindo-se aos procedimentos médicos invasivos aos quais sua mãe foi submetida, como intubação. "Senti falta de poder fazer algo".
Depois da mãe, ele perdeu o pai e o primo em um curto espaço de tempo. Após essas experiências, Almeida deixou de lado o mundo corporativo e, desde 2017, se dedica a atividades que promovam conversas sobre envelhecimento, cuidados paliativos, morte e luto.
Por meio dos projetos, ele tenta melhorar a forma como as pessoas enxergam o processo de morte. "Hoje, a sociedade vê como algo de que não quer chegar perto", explica. "Meu papel é permitir outros sentimentos, como amor, intimidade, pertencimento e orgulho". Um dos projetos dele é o Festival Infinito.
Em meio à crise sanitária que matou mais de 140 mil brasileiros, Almeida considera que seu trabalho ganhou relevância. "Eu pedia para falar [sobre a morte] e as pessoas não queriam. Ajudou a não ter que convencer da importância", conta ele, que durante a pandemia, viu dobrar o seu número de seguidores nas redes sociais.
Ao mesmo tempo que Almeida notou um crescimento no interesse pela temática, a Covid-19 trouxe desafios às famílias com vítimas pela doença, uma vez que o vírus impossibilitou velórios ou rituais de passagem.
Pensando nisso, Almeida desenvolveu um Guia de Rituais Virtuais - saiba mais em https://rituais.infinito.etc.br/. "É uma forma de tornar o processo um pouco menos doloroso para que traga mais conforto", explica ele. A plataforma auxilia na organização de uma cerimônia e também oferece profissionais que podem ser contratados, como cerimonialista e terapeutas especializados em luto.