09 de julho de 2026
Nacional

Conserto de miniaturas é trabalho para gente grande

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine que você guarda aquela miniatura de estimação desde a infância e seu filho pequeno acabou quebrando o carrinho. Pois saiba que a situação (e a peça de coleção) tem conserto. Como os carros de tamanho natural, miniaturas são passíveis de restauração, reforma e customização. Essa é a especialidade de profissionais como Roberto Giglio De Stefano, publicitário que vive das miniaturas. Ele estima que desde 2005, quando iniciou, já trabalhou em cerca de 4 mil carrinhos.

"Tudo é feito à mão, com lixa, massa, resina, plástico e qualquer material que seja necessário", conta ele, que é conhecido como Beto Cridê. O apelido surgiu como homenagem a seu pai, Renato De Stefano, que foi cenógrafo do extinto programa da TV Record "Família Trapo", no qual o ator Ronald Golias utilizava o bordão: "Ô Cridê! Fala pra mãe...". O programa se foi, mas a alcunha acabou ficando.

Ele garante que a recuperação só não é possível em caso de extrema gravidade. "Se o cliente perdeu uma roda, eu consigo fazer outra", diz. Nesse caso, Beto Cridê utiliza as rodas existentes para fazer moldes de silicone e a partir disso produzir as peças em resina.

Mesmo que não haja referência, Cridê garante que é possível fazer a reforma. O trabalho, porém, fica mais complexo, porque nestes casos é necessário buscar algo parecido no mercado. O profissional gosta tanto do que faz que chega a conversar com os carrinhos durante a restauração. Quanto aos custos, ele diz que a pintura em uma miniatura na escala 1/43 sai por R$ 200, mas pode chegar a até R$ 1.500 dependendo da escala.

Outro restaurador, o mineiro Marcio Mendonça Pereira, de Belo Horizonte (MG), se especializou em miniaturas na escala 1/64. "Comecei a garimpar miniaturas nacionais e de marcas inglesas das décadas de 1970 a 1990. Mesmo com riqueza de detalhes, como portas que se abriam, rodas que esterçavam e várias partes móveis, a pintura sempre deixava a desejar. Foi aí que resolvi adaptar minha oficina para as restaurações."

De acordo com ele, quando a pintura está desgastada, é preciso tirar toda a tinta, utilizando removedor automotivo, e preparar a superfície. "Neste caso, utilizo esponja abrasiva no lugar da lixa para evitar danos. Na sequência, vêm a aplicação do primer, pintura e verniz."

Como nos carros de verdade, todas as etapas são intercaladas por um tempo de secagem que varia de 12 a 36 horas. "Embora utilize uma cabine de pintura e secagem adaptada, o clima também interfere", garante. Na parte de funilaria, os profissionais utilizam os mesmos produtos empregados em carros.

Em muitos casos, é preciso adquirir uma miniatura que servirá para a retirada de peças. Quando não há similar disponível, é necessário fabricar itens como para-choques, retrovisores e até colunas. Fotos ajudam no detalhamento. O trabalho pode levar até 60 dias.

Márcio Milanez, de Jaboticabal, também faz restaurações, mas garante que trabalha apenas em modelos de sua coleção, ou "raramente" para algum amigo. Ele começou há 20 anos, e mexe apenas com miniaturas na escala 1/64. Seu primeiro trabalho foi um caminhão Mercedes-Benz Roly Toys. Milanez diz que o único dano que impede a recuperação é quando o chassi está quebrado.