Começo esse texto com essas e outras perguntas, porque ao olhar nossa realidade em tempos de pandemia creio que a resposta política e social diz nas entrelinhas que não é mais preciso ter escolas, ou pelo menos das que existem.
Novas perguntas me faço. Será que só as escolas particulares que estão protestando em Bauru, pedindo o reinício das aulas, é que tem o ensino valorizado? O que realmente está por trás dos decretos municipais que não permitem a volta de novos conhecimentos? O que está por trás de tudo isso que acontece hoje? Tenho mais perguntas que respostas. No próximo ano, pode vir para o Brasil e, consequentemente, para Bauru, nova onda de coronavírus. As escolas continuarão fechadas?
Moro entre duas escolas com uma grande área construída. Percebo-as preparadas para reiniciar os estudos, com todos os protocolos e cuidados necessários. Vejo que pela estrutura que elas têm podem receber todos os seus estudantes num retorno às aulas, caso, ao invés de período integral como anteriormente tinham, optarem por 2 períodos com menor número de horas. Se estas escolas têm estrutura para tanto, por que não podem recomeçar as aulas presenciais, dividindo o total de estudantes em dois períodos e consequentemente em espaços maiores?
Penso mais: qual a razão deste impedimento pela prefeitura? Será porque as escolas estaduais e municipais não fizeram a "lição de casa"? Não se prepararam para receber os estudantes com todo o protocolo? Não houve verbas para isso e para deixar os prédios escolares em perfeitas condições? O resultado de tudo isso pode ser visto. Mais uma vez temos aumentada a distância entre o conhecimento dos estudantes das escolas públicas e das escolas particulares. Que tristeza!
Enquanto as escolas públicas permanecem fechadas, professores e estudantes se estressam num ensino à distancia e online. Há um esforço sobre-humano desses professores para que suas crianças e adolescentes se interessem pelo aprendizado.
Existem escolas municipais de Ensino Fundamental em que não há aulas online, só exercícios em folhas xerocadas. Os pais precisam pegar as folhas de atividades nas escolas, e não são todos os que vão buscar. Em casa, os pais precisam ser os professores de seus filhos e muitos deles, formados em universidades, não conseguem ensinar corretamente.
Os professores das escolas particulares que voltaram às atividades de reforço necessitam se dividir entre os encontros presenciais e os encontros online. Socorro! Escolas pequenas estão em más condições financeiras, bem próximas de fecharem suas portas, caso não voltem suas atividades, eis a insistência por voltarem logo.
Em vários países da Europa acontece a segunda onda de coronavírus, com muitos fechamentos: do comércio, estradas, órgãos públicos; mas as escolas estão abertas!
Continuaremos como um país semidesenvolvido se não valorizarmos o ensino escolar. E o que mais desejo como educadora que sou é que os professores retornem às suas atividades com outro paradigma, com sua prática assentada numa concepção em que o estudante seja verdadeiramente o sujeito, o protagonista de sua aprendizagem e o(a) professor(a), o (a)mediador(a) desse conhecimento. Creio que esta será a maior vitória da educação nessa pandemia. A transformação qualitativa na prática de muitos professores.