11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Enxugar estoque é saída para ter mais dinheiro na mão

Marília Miragaia
| Tempo de leitura: 2 min

A pandemia mudou a forma como algumas empresas pensam seus estoques. Para não deixar capital parado, elas têm reduzido sua oferta de mercadorias, com restruturações na produção e vendas sob demanda. "Antes da crise, o empreendedor muitas vezes não fazia bem o cálculo para a compra de matéria-prima e abastecia o estoque achando que poderia vender mais tarde", diz César Rissete, gerente de competitividade do Sebrae. "Hoje, esse comportamento pode ser nocivo porque ele pode precisar do dinheiro para outras coisas, como contas."

Muitos negócios aproveitaram a pandemia para queimar o estoque que tinham, e, agora, estão voltando a comprar matéria-prima de forma mais criteriosa e planejando melhor a produção, diz Rissete. É o caso da empresária Juliana Fregonesi, 45 anos, dona da marca de roupas Made with Soul, de São Paulo.

Em maio, ela fez uma liquidação de 24 horas com a intenção de baixar o estoque, equilibrar o fluxo de caixa e investir em uma coleção adaptada à quarentena. "Não costumo fazer promoção, então coloquei a cara no Instagram e expliquei a situação. Deu certo."

Na sequência, ela preparou uma coleção de tricô disponível em pré-venda. Com isso, só foram confeccionadas peças pagas antecipadamente - e o recurso obtido foi usado para custear a matéria-prima. Agora, a empresária vai testar outro caminho: para lançamentos em novembro, adotou o que chama de lista de desejo. A ideia é produzir poucas peças de cada modelo e avisar as clientes, que serão convidadas a fazer a reserva do produto pelo WhatsApp ou ecommerce.

As redes sociais são fundamentais na hora de transmitir esse tipo de mudança. O ideal é traduzir a situação de forma realista e transparente, mas positiva, diz Rissete.

A empresária Luiza Pannunzio, 41 anos, explicou no Instagram que sua marca encontrou uma nova forma de trabalhar: peças que não estão em estoque são feitas sob encomenda. "A gente produzia mais do que precisava e, ao mesmo tempo, não conseguia ter reservas. Nunca tinha achado isso um problema, mas, depois de avaliar, fiz essa campanha para inverter o processo de compra e produção", diz.

No novo sistema, o cliente espera 15 dias para a peça ficar pronta, mas paga 30% a menos do que no início da pandemia. O valor representa a economia que a empresária teve ao investir em matéria-prima de forma mais pontual.

Por ora, a resposta tem sido positiva e foi suficiente para evitar demissões na crise. "Eu dependo de uma mudança de comportamento do consumidor. Não sei se vou conseguir, mas vou continuar batendo nessa tecla", diz.