Brasília - Diante da possibilidade de um longo processo de apuração eleitoral nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi aconselhado a não se manifestar sobre o resultado do pleito antes que seja confirmado o vencedor.
A orientação dada por assessores tem como alvo notícias veiculadas na imprensa americana sugerindo que Trump poderia declarar vitória na noite desta terça-feira (3), ou na manhã desta quarta-feira (4) de forma antecipada, antes que vários estados tenham tabulados votos por correio.
Admirador de Trump, Bolsonaro já afirmou que torce pela reeleição do republicano.
Auxiliares palacianos que o presidente foi advertido a manter sangue frio, uma vez que um endosso público diante de um resultado eleitoral ainda reversível poderia deixar o governo brasileiro em situação incômoda caso o democrata Joe Biden termine o processo como vencedor.
REDES SOCIAIS
O dia das eleições norte-americanas, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais na manhã desta terça-feira (3) para destacar a importância do pleito americano e as possíveis consequências ao Brasil, a depender do resultado. Bolsonaro não descarta uma "decisiva interferência externa" desde já para influenciar as eleições brasileiras presidenciais, que ocorrem em 2022.
"No Brasil, em especial pelo seu potencial agropecuário, poderemos sofrer uma decisiva interferência externa, na busca, desde já, de uma política interna simpática a essas potências, visando às eleições de 2022", escreveu. O chefe do Executivo destacou que as "eleições norte-americanas despertam interesses globais, em especial, por influir na geopolítica e na projeção de poder mundiais".
Segundo o presidente, pelo peso da disputa eleitoral nos EUA "há sempre uma forte suspeita da ingerência de outras potências, no resultado final das urnas". Bolsonaro ressaltou ainda que a "liberdade continua sendo ameaçada" e que é preciso se inteirar de tendências de esquerda na América do Sul.
No final da tarde, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro perguntou a apoiadores: "vai dar Trump ou vai dar Biden?". Na sequência, depois de ouvir de um apoiador que "tem que dar Trump", Bolsonaro disse: "não vou nem responder. Tem gente que acha que o Brasil está livre de problemas. Cheio de estrategista político por aí".