11 de julho de 2026
Política

Cohab vai verificar se Gasparini Jr. autorizou passagens a agentes políticos

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Arildo Lima Jr., determinou que o setor de contabilidade faça uma varredura para identificar se houve algum pagamento feito pela companhia a agentes políticos durante o período de 14 anos em que Edison Bastos Gasparini Jr. comandou a Cohab. Ele saiu no final do ano passado, após a Operação 'João de Barro', do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), que segue com as investigações.

Nesta semana, a Câmara Municipal abriu uma Comissão Processante (CP) para apurar denúncia de supostos pagamentos de viagens aos vereadores Sandro Bussola (PSD) e Fábio Manfrinato (PP). Os dois afirmam que desconhecem o uso de qualquer verba da Cohab para a realização das viagens para a capital federal, o que foi declarado pela ex-secretária Olga Mattosinho, que trabalhava com Gasparini Jr., e em anotações recolhidas pelo Gaeco. Além deles, também foram citados o ex-assessor parlamentar Júnior Rodrigues (PSD), que atuava com Bussola, e o ex-vereador Renato Purini (MDB), que afirmam não saber de uso de verbas da companhia.

Ao JC, Arildo Lima Jr. disse que já foi solicitado o 'pente-fino' para a contabilidade, relativo ao período em que Gasparini Jr. esteve no cargo. "Desde que entramos na Cohab, tudo o que foi identificado de irregular foi passado ao Gaeco. Nenhum pagamento de viagem ou qualquer outro benefício a agente político foi verificado, mas pedi uma nova varredura, para confirmar se realmente nada foi pago em nome da companhia durante o período do presidente anterior", frisa.

PROCESSANTE

 A Câmara decidiu pela abertura de Comissão Processante, que vai analisar as condutas de Sandro Bussola, Fábio Manfrinato e do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB), que nega ter autorizado qualquer pagamento. A comissão é formada pela presidente, a vereadora Chiara Ranieri (DEM), pelo relator, o vereador Coronel Meira (PSL), e ainda pelo membro Edvaldo Minhano (Cidadania).

Ontem, eles fizeram uma reunião para enviar as notificações a Bussola, Fábio Manfrinato e Clodoaldo Gazzetta. A expectativa é que eles sejam notificados, no máximo, até amanhã, passando a contar o prazo de dez dias corridos para que apresentam suas defesas, por escrito. Cada um poderá ainda indicar até dez testemunhas.

O prazo final de entrega das defesas será em 16 de novembro e uma nova reunião da CP foi marcada para o dia 17 deste mês. A partir daí, a comissão tem mais cinco dias para definir se vai arquivar a denúncia ou dar sequência.

No caso de arquivamento, é necessário submeter ao plenário da Câmara. Já se a CP tiver sequência, a presidente determinará atos, diligências e audiências. O prazo de conclusão de uma Comissão Processante é de até três meses, porém como a atual legislatura termina em dezembro, a CP precisará terminar em menos de dois meses.

ÉTICA

A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara também abriu procedimento para analisar as denúncias. Neste caso, apenas vereadores podem ser investigados. O presidente da comissão, Markinho Souza (PSDB), chamou uma reunião para amanhã, às 10h, e convocou os vereadores Sandro Bussola e Fábio Manfrinato para prestarem depoimento. O relator é o vereador Pastor Luiz Barbosa (Republicanos) nesta comissão.