10 de julho de 2026
Geral

Recuperação do pulmão de paciente com Covid-19 é semelhante à de um fumante

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Após 7 meses de pandemia, o padrão dos efeitos do coronavírus no corpo humano continua sendo uma incógnita parcial para os especialistas, pois o quadro clínico dos pacientes varia bastante. Porém, já se sabe que o pulmão é, na maioria das vezes, o órgão mais prejudicado pelo vírus, principalmente nos quadros graves, quando são internados para receberem o auxílio de respiradores. E é para essas pessoas que o processo de recuperação pode ser bem mais longo. Isso porque o pulmão pode levar 15 anos para se recuperar da inflamação de Covid.

A infecção pela doença ocorre quando o Sars-Cov-2 adentra o corpo humano e penetra as células pulmonares. Nesse momento, o organismo libera toxinas para eliminar esse vírus até então desconhecido. Só que essas toxinas acabam infectando, também, as próprias células do pulmão, iniciando um processo inflamatório.

"Quando ouvimos que o paciente tinha uma porcentagem do pulmão comprometido, significa que aquela parcela do órgão já não realizava mais as trocas gasosas corretamente. Ou seja, não estava absorvendo a quantidade de oxigênio que o corpo precisa para funcionar adequadamente. Por isso, a falta de ar é um dos maiores sinais de que o paciente pode evoluir para um quadro grave da doença", explica o pneumologista Rincan Katsuhilo Nagao.

FIBROSE PULMONAR

Em casos ainda mais graves, essa inflamação pode evoluir para uma fibrose pulmonar - quando formam-se cicatrizes que enrijecem o tecido saudável. Com a perda da elasticidade, sua capacidade de oxigenação do sangue é prejudicada, dificultando a respiração.

Rincan Nagao afirma que a recuperação dos pacientes com este quadro é parecida com a de um ex-fumante. Pode levar 15 anos, a depender do tratamento e do cuidado adotado pelo paciente. "Isso não impede que ele viva uma vida normal, pois a melhora pode ser observada a cada dia. A grosso modo, o organismo se acostuma a funcionar com menos oxigênio. Porém, é claro que algumas atividades que eram realizadas antes não poderão ser feitas na mesma intensidade", afirma o pneumologista.

Como não há um remédio específico para tratamento da Covid-19 e ainda não foi desenvolvida uma vacina, os médicos administram doses de outros medicamentos para evitar que o quadro evolua para essas condições graves, como anticoagulantes, corticóides e broncodilatadores. "Ainda é preciso ficar atento em relação aos outros órgãos, como rins e coração, que comumente são afetados pela doença", alerta Rincan Nagao.