09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Por todas elas

Olynda Baasan - ABL
| Tempo de leitura: 1 min

Nem boneca de luxo, nem de louça.

Boneca de pano sem rosto,

deixada num canto, inanimada,

no olhar dos saltimbancos cegos.

Olhares desalmados,

anuviados de valores: pigmentos do

machismo opressor.

Poema interrompido

nas palavras sequestradas,

nos versos da escolha sonegada.

Livro fechado no chão, a boneca

que não pode ser boneca...

Escrito na boneca de pano,

o poema visual do horror exilado,

solitário, como se fosse de alguma

alma vagueadora,

sem paz, sem gozo no avesso de

uma lua sem luar.

Desnudo da dignidade .

Estou em um corpo machucado,

besuntado pela nódoa

da inconcebível barbárie humana,

O silêncio grita em cada morte.

Tudo é indigno a uma boneca

de carne. No peito, o coração pulsa,

sofre e chora, sob o manto escuro

do desamparo.

Quem ouvirá?