São Paulo - O Comitê Internacional Independente recomendou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que retome os testes com a CoronaVac. A determinação da agência foi tomada na noite de segunda (9) e provocou mal-estar com o governo de São Paulo. O argumento foi a morte de um dos participantes dos testes. Nesta terça-feira se soube que o homem, de 33 anos, cometeu suicídio e, sua morte não está relacionada à vacina (leia box ao lado).
A Anvisa agora irá analisar o pedido do Comitê, já que ela é soberana na regulação do setor no Brasil, em conjunto com o Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, que também recomendou a volta dos ensaios.
STF
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu prazo de 48 horas para a Anvisa apresentar informações sobre a decisão de suspender os testes.
O ministro havia indicado que não concederá liminar nas ações que tratam de vacinação de Covid-19, e sim levaria ao plenário da Corte. No entanto, a leitura entre interlocutores do ministro é que, a depender dos desdobramentos envolvendo o processo de preparação das vacinas, tomará alguma medida.
ANVISA
Mais cedo, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou que a decisão foi 'técnica' e tomada após ser informado sobre 'evento adverso grave' com um dos pacientes que participa dos testes da vacina. A vacina contra a Covid-19, desenvolvida na China terá produção conjunta com o Instituto Butantan se for eficaz. A medida foi determinada no mesmo dia em que o governador de São Paulo, João Doria anunciou para o dia 20 a chegada das primeiras 120 mil doses importadas da China.
O motivo foi o relato de um evento adverso grave, no caso a morte de 1 dos 13 mil voluntários do programa do imunizante no Brasil. Só que a vítima, um homem de São Paulo, de 33 anos, morreu por suicídio segundo a Polícia Civil.
A morte havia sido reportada no dia 6, mas ficou três dias paradas no sistema da Anvisa por problemas técnicos.
DISPUTA
O comitê é um órgão internacional que avalia os ensaios vacinais em todo o mundo quando há disparidades ou dúvidas.
Todo o caso se insere na disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria (PSDB-SP), que desde o começo da pandemia têm orientações díspares sobre como manejar o problema.
Ainda na manhã desta terça, após a decisão da Anvisa, Bolsonaro a comemorou como uma vitória pessoal sobre o governador. Doria e seu entorno decidiram não reagir diretamente, e o governo colocou sua equipe técnica que lida com o assunto para falar sobre o problema em uma entrevista coletiva.