HONG KONG - Enquanto o mundo assiste ao desenrolar da crise política nos Estados Unidos, a China decidiu esmagar de vez o movimento pró-democracia em Hong Kong. Há muito pouco que o Ocidente possa fazer.
Sob tutela da China, o governo local de Hong Kong cassou os mandatos de quatro deputados pró-democracia. Após o anúncio, outros 15 parlamentares do bloco renunciaram a seus cargos. A decisão de tirar o mandato de Kwok Ka-Ki, Alvin Yeung, Dennis Kwok e Kenneth Leung foi tomada depois que o Parlamento da China aprovou resolução que permite que deputados sejam destituídos sem julgamento sob acusação de conspirar contra o regime - os quatro já tinham sido impedidos de concorrer nas eleições de setembro.
"Nós, o campo pró-democracia, apoiamos nossos companheiros e vamos renunciar em bloco", disse Wu Chi-wai, líder dos 15 deputados pró-democracia do Parlamento local.
A decisão do governo local foi condenada pelo governo britânico, que a considerou "outro ataque ao elevado grau de autonomia e liberdades" de sua ex-colônia, de acordo com uma declaração do ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab.
O Conselho Legislativo, que vota as leis em Hong Kong, tem 70 membros, nomeados com base em um sistema complexo que garante quase automaticamente a maioria ao bloco favorável a Pequim. Só 35 deputados são eleitos por votação direta e os demais são indicados por grupos favoráveis à China.