10 de julho de 2026
Articulistas

Governo ainda sobreviverá dois anos?

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 2 min

Não se pode dizer que Bolsonaro chegará ou não ao fim de seu mandato, mas dá para enumerar as pontes que ele mesmo implodiu no caminho que traçou. A primeira a ser implodida foi a da moralização, do combate à corrupção e apoio à Lava Jato, mas esta já estava comprometida com uma 'rachadinha' e não suportou o peso da família, mais o Fabrício Queiroz. Esta caiu com barulho porque para implodi-la ele sacrificou uma das forças de sua campanha, a figura do juiz Sérgio Moro. Tentar salvar o filho comprometido foi mais importante que honrar o compromisso. A caminhada continuou por um desvio.

A segunda ponte a ser implodida foi devido a um autoengano, porque em seu governo não haveria mais políticas ideológicas, referindo-se à conotação da política lulopetista com o comunismo. É que ele não se tinha dado conta que estava mais que comprometido ideologicamente com o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho e trouxe para o governo alguns fanáticos por essas ideias antidemocráticas, que unidos a seus filhos, também seguidores, foram colocando as dinamites para implodi-la. Restaram apenas alguns pilares, para passagem precária.

A terceira foi a de fazer as reformas estruturais que criariam as condições de atratividade para os investidores estrangeiros. Foi vender o Brasil para a China, Japão, Índia, Emirados Árabes, Estados Unidos, Israel, países da América do Sul etc. Teríamos a volta das estradas de ferro, melhoria dos portos e aeroportos e um crescimento de dois dígitos, mas veio a pandemia Covid-19, o ministro da Saúde foi fiel á ciência e tomou as decisões de restrição recomendadas pela OMS, como outros países. Isso afetou a economia e representou ameaça ao seu projeto de reeleição. Nessa altura a 'trumpeta' de seu ídolo assoprou a melodia da cloroquina e a ponte foi pelos ares, explodiu em vez de implodir. Salvou-se apenas a reforma da Previdência.

A quarta ponte a implodir, que estava intacta no início do caminho, tinha uma placa que dizia: "Só passa quem não exigir troco", uma advertência à turma do 'dá cá, toma lá', em quem nem se deveria pensar, estavam banidos do governo. As ameaças de impeachment, pelos tropeços do governo e a falta de apoio às reformas forçaram a busca de uma tábua de salvação e ela estava esperando debaixo da ponte, no 'centrão' dos pilares. Não havia alternativa a não ser usá-la, mesmo sabendo que a ponte cairia. E caiu sem fazer barulho.

Parecia que tudo caminharia bem, apesar da Covid-19 continuar ceifando vidas, passando dos 160 mil, mas a queda estrondosa do Trump, em que a Covid-19 foi uma das causas, podendo o mesmo acontecer com ele, deixou-o desatinado e agora está colocando minas explosivas também no leito da estrada, como esta briga da vacina.

E daí, o que mais virá?

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.