Brasília - Material do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL) registra a preocupação com um interesse do país asiático pelos recursos naturais estratégicos, especialmente a água. O órgão comandado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) destaca que as potencialidades brasileiras já estão na mira de potências como Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos.
"A entrada da China no seleto grupo de grandes potências econômicas hegemônicas do mundo contextualiza uma nova realidade global, na qual regiões ricas em recursos naturais estratégicos passam a ser o alvo das políticas externas do Governo chinês", ressalta uma apresentação feita na última terça-feira, 3, aos integrantes do Conselho.
CRISE HÍDRICA GLOBAL
O documento destaca que, na crise global da água, a situação já é crítica na China, na Índia, no México e na região do Chifre da África - que abrange Somália, Etiópia, Eritreia e Djibouti. Nesses países, segundo o governo, os lençóis freáticos registram queda de um metro por ano, acima da taxa natural de reposição, o que aponta para grave escassez de água dentro de 20 a 25 anos.
Apresentado por um subordinado de Mourão na reunião, o documento destaca um possível apoio de "entidades ambientalistas" aos governos europeus, além de "interesses menos republicanos entre nacionais". "Será que vale a pena a troca de provocações nas relações internacionais?", questiona o documento. A equipe de Mourão apresentou ainda um outro questionamento: "Qual seria a melhor estratégia para o Brasil?". A resposta está registrada logo abaixo. "Assegurar sua soberania pela Coordenação e Integração de Políticas Públicas, por intermédio do CNAL".
DESMATAMENTOS
Nos planos do conselho da Amazônia há ainda meta de redução de 90% dos desmatamentos e queimadas na região até 2023, "como consequência da maior celeridade do fluxo de informações a antecipação das ameaças". O conselho demonstra também preocupação com a imagem da gestão do governo Bolsonaro.
Por isso, outra ideia que se avalia é aumentar em 70%, até 2021, o número de notícias positivas divulgadas pelo governo sobre repressão a crimes na Amazônia.