11 de julho de 2026
Nacional

Espancado por dois seguranças, João Alberto morreu por asfixia, diz laudo

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Porto Alegre - Assim como o norte-americano George Floyd, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, pode ter sido morto por asfixia, conforme indicou o primeiro resultado da necropsia realizada pela perícia em Porto Alegre. O homem, negro, foi espancado por seguranças do hipermercado Carrefour, na noite de quinta-feira (19). Os dois seguranças terceirizados do Carrefour, Giovane Gaspar da Silva, policial militar temporário, e Magno Braz Borges foram presos.

Após colher os primeiros depoimentos, a delegada responsável pelo caso, Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, recebeu, na tarde desta sexta, os médicos legistas para elucidar as causas da morte de João Alberto. Durante as agressões, a vítima também foi imobilizada pelos vigias, com o joelho de um deles nas costas.

"O maior indicativo da necropsia é de que ele foi morto por asfixia, pois ele ficou no chão enquanto os dois seguranças pressionavam e comprimiam o corpo dificultando a respiração dele, informou.

A delegada adianta que outros envolvidos estão sendo investigados por omissão de socorro. "Duas ou mais pessoas podem ser implicadas por não terem impedido que as agressões continuassem. Foi uma ação completamente desproporcional e atípica para pessoas que exercerem essa atividade", disse Roberta Bertoldo.

 A delegada, porém, disse não ter indícios de se tratar de um caso de racismo. "Até este momento, não deslumbramos nada de cunho racial. Não temos nenhum indicativo por essa motivação", disse.

A informação preliminar de que João Alberto teria sofrido um ataque cardíaco enquanto era agredido pelos vigilantes não pôde ser constatada pela perícia. Os dois serão indiciados por homicídio triplamente qualificado - por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

VIGILANTE

A Polícia Federal informou que irá suspender a carteira nacional de vigilante de Magno Braz. A instituição confirmou que o Grupo Vector que faz a terceirização dos serviços está com cadastro regular e foi vistoriada no fim de agosto, não tendo sido identificadas irregularidades em seu funcionamento. 

A empresa tem sede em São Paulo. O Carrefour diz que romperá contrato com o grupo.