10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Venda de bicicletas cresce em meio à pandemia

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

A produção e a venda de bicicletas têm crescido em ritmo acelerado no segundo semestre. De acordo com a Abraciclo, entidade que representa as fabricantes de veículos de duas rodas, 89,2 mil unidades foram montadas em setembro, um crescimento de 39,6% na comparação com agosto.

O dado considera apenas as bikes produzidas no Polo Industrial de Manaus, onde estão as gigantes Caloi e Houston, mas indica o potencial do segmento, que vem sendo explorado por empreendedores. Segundo a Aliança Bike, que reúne lojistas e empresas voltadas ao transporte sustentável, as vendas das associadas cresceram 93% na comparação entre os meses de agosto de 2020 e de 2019.

"Vivemos um boom de vendas com a pandemia da Covid-19, já que o uso da bicicleta é recomendado pela OMS [Organização Mundial da Saúde] como alternativa segura de mobilidade para evitar aglomerações, comuns no transporte público", diz Cyro Gazola, vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo.

Victor Hugo Cruz, CEO da Vela Bikes, especializada em modelos elétricos, diz que o comércio digital representa 95% do total durante a pandemia. Antes, equivalia a 60% dos negócios. A produção começou em meio à crise. "E dependemos de componentes importados que foram afetados pelo dólar. Só conseguimos nos manter pelo potencial da bicicleta elétrica", afirma Hugo Cruz.

A persistência tem sido recompensada. Em 2015, foram montadas 80 bikes. Em 2019, o número chegou a 800 unidades.  O dólar alto segue como um dos principais entraves. Bikes que custavam R$ 4.500 hoje são vendidas por R$ 6.800, segundo Cruz. 

Problemas com peças também afetam os fabricantes instalados em Manaus. "Todas as fabricantes instaladas no polo estão trabalhando a plena capacidade, mas estamos limitados pela falta de insumos. Mesmo se esforçando muito, os fornecedores globais não têm condições de atender aos pedidos", diz Gazola, da Abraciclo. Para o representante da entidade, o equilíbrio entre produção e demanda deverá retornar no próximo ano.