08 de julho de 2026
Ser

O polêmico chá revelação

Talita Duvanel
| Tempo de leitura: 3 min

A cena começa com dois bonecos de bebês gigantes, uma menina e um menino, pulando de um lado para o outro num quintal. De repente, inicia-se a "luta". Um soco desengonçado daqui, uma cabeçada estranha dali, e o bebezão de babador azul leva o empurrão final e cai. Acabaram a peleja e o mistério. A mais nova integrante da família de um casal de mexicanos, que viralizou na Internet com seu chá revelação no fim de agosto, é uma menina.

O vídeo, postado no TikTok, gerou todo tipo de reação. A mais compartilhada no Facebook (com 166 mil reposts) foi a do humorista Leandro Hassum, com a legenda: "Agora o chá revelação foi longe demais." Longe, porém, é uma palavra que não existe no vocabulário de muitos pais adeptos da cerimônia. Semanas depois dos mexicanos, outro vídeo chegou por aqui, causando discussões acaloradas nas redes.

Um casal de youtubers de Dubai fez um show de projeções num arranha-céu da cidade, que culminou com os dizeres "é um menino" na cor azul. Houve quem se emocionasse com a alegria da dupla, embalada pela edição cinematográfica do vídeo, e quem se indignasse com a ostentação. No final, descobriu-se que se tratava de uma ação patrocinada por uma construtora local.

Em versão simples ou exibicionista, o chá revelação é, atualmente, uma das maiores polêmicas da maternidade, nas vidas real e virtual. E não tem pandemia que o faça arrefecer. "Como tudo em maternidade, o chá é ame ou odeie, é polêmico, tipo cesariana ou parto normal", brinca a decoradora de eventos infantis Adriana Romualdo. A empresária confirma que a pandemia não fez as mães desistirem da experiência, e muitos migraram para o ambiente online.

Seja por reunião via Zoom ou vídeo gravado para os amigos, como fez a estilista de Juiz de Fora (MG) Olívia Aragão, vale tudo. "É como no mercado de casamento. No começo, há coisas que a noiva acha supérfluas, depois sente ser essencial." A mineira esbarrou em muitas referências nas redes sociais, mas o isolamento social acabou obrigando-a, digamos, a lançar moda.

Os irmãos esconderam pistas pelo sítio da família, e a caça ao tesouro (o sexo biológico do bebê) foi toda filmada, com direito até a imagens de drone. No fim de outubro, o vídeo de sete minutos foi compartilhado com amigos, que viram Olívia e o noivo Igor Amadeu encontrarem um pote cheio de tinta azul. Pronto, a curiosidade estava saciada.

CONTRAMÃO

Se o ciclo social da estilista foi brindado com uma produção caprichada, o da professora Raquel Pontes, de Arraial do Cabo (RJ), não teve a mesma sorte. Ela até foi cobrada pelas amigas para que fizesse uma festinha, quando anunciou a gravidez, há três anos, mas a resposta veio na lata: "Chá de revelação? Jamais". Para ela, esse tipo de evento tirou a magia de uma experiência íntima entre os pais do bebê. "Descobrir que ia ter um menino foi um momento meu e do meu marido. E os amigos falando: 'Faz chá, é legal.' Eu respondia: 'Legal para quem? Para vocês, né?'", brinca ela.