10 de julho de 2026
Geral

HC reduz leitos pela metade e MP cobra atendimento após pandemia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O Hospital das Clínicas (HC) de Bauru reduziu de 40 para 20 o número de leitos da unidade, inaugurada em 1 de julho como hospital de campanha, para internação de pacientes com Covid-19 com quadros menos complexos. Conforme o JC antecipou na edição desta segunda-feira (23), funcionários já estariam recebendo aviso prévio, sinalizando a rescisão de ao menos parte dos contratos.

A Secretaria de Estado da Saúde não informou se a medida implicará no encerramento das atividades até o fim deste ano ou se o convênio com a Famesp, que tem prazo para ser encerrado em 31 de dezembro, será renovado. O Ministério Público (MP) Estadual cobra, mais uma vez, que o serviço seja mantido.

Por meio de nota, a secretaria afirmou que, devido à redução na demanda voltada à Covid-19 e à baixa ocupação dos leitos no HC, a unidade passou a operar, em novembro, com 20 leitos de enfermaria. Nesta terça (24), eram dois pacientes internados. Ainda na nota, a secretaria informou que, dos 120 funcionários inicialmente contratados, 100 continuam atuando.

"Foram contratados por tempo determinado, cientes, portanto, do caráter temporário. Os equipamentos ociosos serão remanejados para serviços estaduais de Bauru", frisa a pasta, acrescentando que as medidas para a abertura definitiva do HC estão em análise. Vale destacar que, no dia 8 de outubro, em visita a Bauru, o governador João Doria garantiu que o Estado manteria o HC em funcionamento após a pandemia, para atendimento de pacientes com demandas relacionadas a outras especialidades médicas.

SEM PREVISÃO

Porém, em documento protocolado no dia 15 do mesmo mês, o Departamento Regional de Saúde (DRS-6), vinculado à secretaria, apresentou planos de abertura do HC, a pedido do MP, dentro de uma ação em tramitação sobre o assunto. Nele, o órgão informou que seriam necessários quatro anos e R$ 12,350 milhões para adequar a infraestrutura do prédio para a plena utilização como hospital geral de média e alta complexidade.

Ainda consta no documento que, para o funcionamento apenas parcial do prédio, com ocupação de quatro pavimentos para ativação de enfermarias, UTIs, centro cirúrgico e Centro de Material e Esterilização (CME), o investimento seria de R$ 3,175 milhões. A Secretaria de Estado da Saúde informou, no entanto, que os valores são estimados e não configuram uma definição.

Para o promotor de justiça da Saúde Pública Enilson Komono, não há justificativa plausível para a morosidade do Estado, já que o prédio ficou pronto em 2012 e, desde então, não foram feitas as adequações necessárias para a inauguração e abertura definitiva. Estado, Famesp e município já foram condenados a ampliar o número de leitos hospitalares em Bauru e, segundo o promotor, em recentes audiências relacionadas à ação de cumprimento desta sentença, os representantes do governo paulista informaram que não há previsão para início do funcionamento do HC como hospital geral.

"A posição consolidada do Estado é de que não há perspectiva nem de curto, nem de médio prazos para a abertura definitiva do HC. O cronograma é de quatro anos para uma reforma que sequer começou", observa.