Em 22/11/20, publiquei no JC o texto "Seria bom se pudesse ser assim!", onde comento a preferência dos jovens pelo socialismo, por acreditarem que a fartura existente sempre será a mesma e, assim, neste sistema que distribui a riqueza por igual, todos poderiam ter seu iPhone. Procurei também justificar o equívoco desta visão otimista, terminando por comentar como funciona a natureza humana em face as competições da vida. Em 24/11/20, o senhor teceu críticas ao meu texto, afirmando sem justificativas que minha análise "não é científica, nem justa", e que o "capitalismo acumula riqueza (nem sempre fruto do trabalho, mas da especulação) em ricos cada vez mais ricos e 'socializa' a pobreza multiplicando os pobres, cada vez mais pobres".
Sr. Francisco, é evidente que o capitalismo não é perfeito, pois ele depende da natureza humana que também não é perfeita: há muita ganância, corrupção, ..., e esta natureza é nada estável que possa garantir alguma certeza científica. Mudar a natureza humana é difícil, mas podemos inibi-la com leis mais severas e uma justiça mais atuante, e, muitos Países conseguiram. Isto tudo não muda o que disse: ao passar do capitalismo para o socialismo, a riqueza total diminui muito e o que se tem pra distribuir é a pobreza, onde todos perdem, com o nivelamento social ocorrendo por baixo. E estas imperfeições humanas não estão presentes apenas no capitalismo: acontecem também no socialismo, no sindicalismo, no catolicismo, no judiciário, nas universidades, ..., e elas são tanto maiores quanto mais frágeis forem as leis e o sistema judiciário. Uma prova disto ocorreu recentemente no Brasil onde a "corrupção" chegou a níveis gigantescos, principalmente no desvio do dinheiro público, que pouco tem a ver com o capitalismo. O curioso é que esta corrupção envolveu partidos de esquerda simpáticos do socialismo e que, quando no governo, praticamente destruíram nosso País, deixando cerca de 14 milhões de desempregados, a grande maioria pobre que juravam defender. As imperfeições não estão apenas nas pessoas, mas também nos sistemas. Comparando, note que o "capitalismo democrático" é aberto onde há vários contrapontos (parlamento, ministério público, imprensa livre, ...) para se evitar o poder absoluto, enquanto o "socialismo" é fechado, não é democrático e sem contrapontos, deixando a cúpula mandante com poder absoluto. Se o capitalismo democrático é aberto e tem problemas gerados pelas imperfeições humanas, imagine então como seria estes problemas no socialismo que é fechado. Muitíssimo maior, não é mesmo! E, este poder absoluto, que pode parecer a maior vantagem do socialismo, é, na verdade, ao longo do tempo, sua maior fraqueza. É só dar uma olhada na história dos Países que adotaram o socialismo. Assim, Sr. Francisco, que tal pensarmos no sistema que erra menos, e aos poucos ir melhorando, como já aconteceu com os Países mais desenvolvidos do mundo!
Em 01/12/19, publiquei no JC o texto "Por que alguns Países evoluem mais!?" mostrando que em qualquer País existem pessoas de todos os tipos. Mas, o importante para que o País deslanche, é que haja uma união significativa da população que pensa no mesmo sentido evolutivo, para assumir com determinação o "protagonismo político", procurando viabilizar um sistema de regras de convivência mais harmoniosa e eficaz. Acredito que isto ocorreu nos Países mais desenvolvidos (Suécia, Canadá, Japão, Holanda, Canadá, Áustria, ...), que já mostraram uma receita vitoriosa e duradoura. Estes Países são capitalistas e também democráticos, com excelentes níveis de desigualdade social e distribuição per capta da riqueza, onde o trabalho e o mérito é a base para a sociedade. Cada País tem seu próprio sistema republicano de leis, definindo suas regras de convivência e os limites da liberdade, onde a segurança e preocupação social com o todo está sempre presente. Neles, é também natural que exista certa desigualdade social, uma vez que se reconheça que as pessoas são diferentes em ambição, capacidade e esforço, e o sistema acaba oferecendo amplo leque de possibilidades, com estímulos diferenciados conforme às funções a desempenhar, mas que procura reservar espaço suficiente para se adquirir no mínimo uma vida básica digna.