A pandemia do novo coronavírus escancarou ainda mais as desigualdades sociais, afinal, muitas pessoas ficaram desempregadas e sem condições de adquirir os itens básicos, cujos preços também alavancaram. Em Bauru, pelo menos, oito grupos (veja quadro abaixo) resolveram amenizar esta dor ao preparar celebrações natalinas diferenciadas sob o ponto de vista de prevenir a disseminação da doença. Para realizá-las, contudo, as entidades contam com aquele espírito fraterno que se aflora no final de ano.
Coordenadora da Casa da Sopa da Vila Dutra, Rose Lopes diz que a entrega dos alimentos e brinquedos aos assistidos pela instituição ocorrerá na semana do Natal. "Com a pandemia, nós enfrentamos dificuldade em receber proteínas e alimentos da cesta básica, porque os preços subiram muito, mas acredito que o espírito natalino falará mais alto", complementa.
Idealizadora do Esquadrão do Bem - Somos Unidos no Amor, Maria Inês Faneco informa que a entidade pretende ajudar 950 famílias do Jardim Vitória, Parque das Nações, Jardim Europa, Ferradura Mirim, Parque Jaraguá e Fortunato Rocha Lima. "As doações caíram muito desde o início da pandemia, mas eu estou otimista com o fato de as pessoas ficarem mais solidárias nesta época do ano", acrescenta.
Já o 1.º tesoureiro do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), Uriel de Almeida, revela que cada um dos seis núcleos mantidos pela entidade busca padrinhos para entregar cestas básicas, roupas, brinquedos e doces às famílias que vivem no entorno das unidades. "Eu acredito que nós alcançaremos tal objetivo, porque a solidariedade que se aflora em todo final de ano supera qualquer dificuldade", espera.
Coordenador do Grupo Voluntários em Ação, Miguel Daré observa que a entidade ficou desfalcada desde o início da pandemia, afinal, grande parte dos seus integrantes possui acima de 60 anos e se encaixa no grupo de risco para a Covid-19. "O Natal toca muito as pessoas e as doações, mesmo que em menor quantidade do que nos anos anteriores, não param de chegar", adianta.
Segundo a coordenadora e psicóloga do Instituto Social São Cristóvão (Inscri), Cássia Cerigato Uso, os bauruenses são bastante solidários. "Há 28 anos na entidade, eu já passei por muitas crises, mas nós nunca deixamos de cumprir o nosso papel social", reforça.
EMPATIA
Tatiana Calmon, do De Grão em Grão, também acredita que o espírito natalino garantirá a entrega de cestas básicas, kits de higiene, refrigerantes, gomos de calabresa, panetone e brinquedos a 300 famílias ligadas a seis regiões com concentração de pessoas em extrema vulnerabilidade social. "Recentemente, o ferroviário aposentado Francisco Antonio, de 91 anos, deixou a sua contribuição. Eu brinquei que o arroz que ele trouxe era dos caros, mas o idoso rebateu dizendo que só doava aquilo que comia", narra.
Coordenadora de Marketing da Wise Madness, Danielle Pagani Martins, por sua vez, frisa que cada uma das seis unidades da entidade entregará brinquedos novos e usados antes do Natal. "Desde o início da pandemia, nós não recebemos as crianças, mas levamos os donativos até as suas respectivas casas", pontua.
Marcos da Silva Rio, por fim, pertence a um grupo de voluntários independentes. "Há 19 anos, nós distribuímos brinquedos e panetones às famílias do Jardim Manchester e, mesmo em meio à pandemia, o nosso trabalho não deixará de existir", conclui.