08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nota de Pesar e Repúdio

Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual (Cads), Associação Bauru pela Diversidade (ABD) e Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero (CDS) da OAB Bauru.
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A diversidade integra a condição humana. A diferença factual existente entre as pessoas se contradiz aos estereótipos e padrões socialmente aceitos ou desejáveis. Intolerância, segregação e preconceitos, manifestos em atos de discriminação e crimes de ódio demonstram que ainda não experimentamos o essencial do Estado Democrático de Direito, a igualdade.

No Brasil, o racismo remonta-se ao período colonial e escravocrata. O negacionismo faz com que alguns grupos extremistas queiram alterar a realidade dos fatos. Para eles, negros são descendentes de culturas africanas e o racismo seria pauta reacionária, relacionada aos ideias comunistas e socialistas ou daqueles que querem dividir a sociedade. Nesse sentido, muito recentemente, o vice-presidente da República afirmou não existir racismo no país.

A História, porém, é infalível, inclusive ao denunciar injustiçados e seus algozes, justificando processos de estratificação social que, cotidianamente, constatamos e pretendemos ultrapassar. Em verdade, grupos minoritários ou vulneráveis demandam políticas públicas específicas, além de especial proteção do Estado. A inclusão social é um processo diligente, que requer educação e equidade de oportunidades, minimamente. Ações afirmativas, a exemplo de cotas, têm o condão de diminuir essa distância que impele a maciça maioria dos negros à pobreza e brancos às classes sociais dominantes.

A Constituição Federal de 1988 inaugurou uma nova era no Brasil, ansiando reparar dívidas seculares. Mulheres, negros, LGBTs, entre outros, em tese, passariam a ter direitos garantidos. Avançamos muito, mas também retrocedemos. Lamentamos, imensamente, o crime de ódio suportado pela prefeita eleita, Sra. Suellén Rosim. Não raro, racistas também são sexistas, machistas e homofóbicos. Talvez seja horrível, aos déspotas, constatar uma mulher negra ser aclamada pelo voto popular.

Nós, LGBTs, que sentimos na pele o preconceito e seus desdobramentos, não estamos a serviço de ideologias, mas da democracia e dos Direitos Humanos. Sobre o fato de um dos criminosos, já identificado, tratar-se de homem negro, vale lembrar o ensinamento de Simone de Beauvoir: "os opressores não seriam tão fortes se não tivessem cúmplices dentre os próprios oprimidos". Avante, prefeita Suéllen, pois o amor sempre vence e a senhora servirá de inspiração para tantas pessoas invisíveis, vítimas de discriminação e violências.