09 de julho de 2026
Internacional

Morre Tabaré Vázquez, ex-presidente do Uruguai

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

BUENOS AIRES - Morreu na madrugada deste domingo (6), de câncer no pulmão, o ex-presidente do Uruguai por dois mandatos, Tabaré Vázquez. Ele tinha 80 anos. Desde que recebera a notícia de que a doença havia se espalhado para outros órgãos, há algumas semanas, ele passou a se despedir de amigos, familiares e colegas da política. A chegada do médico oncologista à Presidência, em 2005, representou o fim do domínio dos dois partidos mais tradicionais do Uruguai, Colorado e Blanco, hoje mais afinados com a centro-direita.

Segundo publicação no Twitter de Álvaro Vázquez, filho do ex-presidente, o líder morreu em casa, acompanhado de sua família. "Queremos agradecer a todos os uruguaios pelo amor recebido por ele ao longo de tantos anos", diz a mensagem. A coalizão Frente Ampla também se manifestou sobre a morte nas redes sociais. "É com grande pesar que informamos a morte de nosso presidente, Tabaré Vázquez. Seu exemplo de integridade política e compromisso inabalável com nosso país e com o povo nos levará a continuar seu legado", escreveu.

Luis Lacalle Pou, atual presidente do Uruguai, lamentou a morte de Vázquez no Twitter. "Ele enfrentou sua última batalha com coragem e serenidade. Tivemos diálogos pessoal e político que valorizo e me lembrarei. Ele serviu seu país e, com seu esforço, obteve importantes conquistas. Ele era o presidente dos uruguaios. O país está de luto", escreveu.

Em comunicado, a família de Vázquez disse que, por causa dos protocolos de segurança na pandemia do coronavírus, não haverá velório, apenas uma cerimônia reservada a seus filhos e netos. Na tarde deste domingo, um cortejo fúnebre partiu da Esplanada da Administração Municipal de Montevidéu, no centro da capital, para o Cemitério La Teja, bairro do ex-presidente, onde ele foi sepultado.

MANDATOS

Vázquez, do Partido Socialista, integrante da Frente Ampla aliança de centro-esquerda que inclui de sociais democratas até remanescentes dos guerrilheiros tupamaros foi o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai e responsável por implementar as políticas que tiraram o país da grave crise econômica na qual se encontrava, reflexo da crise argentina de 2000 e 2001.

Seu primeiro mandato, entre 2005 e 2010, lançou as bases de um modelo que faria com que o Uruguai tivesse crescimento sustentado do PIB por 15 anos. Além de se beneficiar do "boom das commodities", o governo de Vázquez fez investimentos em infraestrutura, energia renovável, serviços e turismo.

Foi sucedido por José "Pepe" Mujica, que, por sua vez, levou adiante o plano de modernização do país, com legislações que garantiram direitos civis. Vázquez, porém, era diferente do sucessor em muitos aspectos. Enquanto o primeiro se esforçou para que a lei de anistia fosse derrubada, e julgamentos relacionados à repressão no regime militar (1973-1985), realizados, Mujica foi contra. Já "Pepe" liderou a aprovação das legislações pró-aborto e da regulamentação de produção e venda de maconha.

Vázquez, médico e católico, era contra ambas as pautas. Uma vez aprovadas pelo Congresso, no entanto, não trabalhou para revogá-las. Ao contrário, garantiu que as regras fossem aplicadas. "Sou um legalista", dizia ele a quem perguntava a ele se a postura não era uma contradição. Em seus mandatos, houve elevado gasto social acompanhado de alta nos impostos, o que causou certa insatisfação. Na segunda gestão, entre 2015 e 2020, seus níveis de popularidade caíram, embora tenha terminado a primeira com mais de 80% de aprovação popular.

Com a Frente Ampla, o Uruguai se abriu mais a investimentos estrangeiros e, com seus principais parceiros, Brasil e Argentina, em crise, diversificou os sócios comerciais. Passou a exportar matérias-primas em maior volume a países asiáticos. Entre 2001 e 2018, as exportações do Uruguai para os dois vizinhos caíram de 37% a 19%. No final do segundo mandato de Vázquez, 65% da população do Uruguai fazia parte da classe média. A pobreza caiu de 32,5% da população em 2005 para 8% em 2019, de acordo com dados do governo do país vizinho.