11 de julho de 2026
Política

Oitivas da CP: passagens eram pagas por Edison Gasparini e não pela Cohab

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

A Comissão Processante (CP) teve uma rodada de oitivas, ontem, em que servidores da Cohab falaram sobre o pagamento de passagens emitidas em nome de pessoas que não faziam parte da companhia - casos dos vereadores Sandro Bussola (PSD) e Fábio Manfrinato (PP), que são investigados na CP. A comissão tem como presidente a vereadora Chiara Ranieri (DEM), o relator é Coronel Meira (PSL), e Edvaldo Minhano (Cidadania) é membro.

Em depoimento, Olga Mattosinho, que era secretária do então presidente Edison Bastos Gasparini Jr., confirmou o que disse na oitiva ao Gaeco, do Ministério Público (MP), no mês passado. Ela citou que as passagens emitidas a pessoas de fora da Cohab eram pagas com dinheiro entregue por Gasparini Jr., sendo que este pagamento era realizado diretamente na agência de viagens pelo ex-presidente ou algum funcionário da companhia. Olga disse não saber a origem dos recursos financeiros, além de afirmar que não houve emissão de passagens ao prefeito.

A comissão recebeu cópia de passagens emitidas em nome de Fábio Manfrinato e outra em nome de Bussola. A defesa deste, representada pelo advogado Milton Dota Jr., vai solicitar que a companhia aérea informe se houve ou não o embarque de Bussola no avião. Ainda de acordo com os depoimentos, as passagens que eram emitidas para funcionários da Cohab ou para Gasparini Jr. eram pagas com recursos da companhia, em cheque ou transação bancária.

Outro depoimento foi de Angela Aiello, proprietária da agência de viagens. Ela confirmou que fez a emissão dos bilhetes e que havia duas situações distintas, uma quando as passagens eram para funcionários da Cohab, em que a própria companhia realizava o pagamento, e outra quando Gasparini Jr. solicitava a emissão para terceiros, sendo paga pelo então presidente da companhia - o dinheiro era levado diretamente por ele ou por algum funcionário.

Também prestaram depoimento outros dois funcionários da companhia. Um deles disse nunca ter levado dinheiro até a agência e o outro confirmou que chegou a realizar este serviço. Já o ex-presidente Gasparini Jr. não foi localizado para receber a notificação e prestar esclarecimentos. O jornalista Nelson Gonçalves, que também foi chamado a prestar depoimento, alegou que a oitiva estava inicialmente marcada para a segunda-feira (7) e que se encontra fora de Bauru.

OITIVAS

Os depoimentos na CP continuam hoje. Na próxima terça-feira (15) são esperadas novas oitivas de testemunhas de defesa. Na quarta-feira (16), prestarão depoimentos os três denunciados, que são os vereadores Fábio Manfrinato, Sandro Bussola e o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB). A conclusão do relatório deve ocorrer na semana seguinte a estes depoimentos. A CP precisa encerrar o relatório e colocar a decisão em votação ate´o final deste mês.

RETIRADO

A defesa de Bussola solicitou também que uma citação da CP relacionada aos desvios de R$ 54,8 milhões - atualizados em R$ 116,4 milhões - não fossem incluídos no processo, uma vez que não faz parte do objeto do pedido de abertura da comissão. A solicitação foi acatada. Até o momento, não há nenhuma ligação comprovada entre os pagamentos das passagens e os desvios praticados entre 2007 e 2019, com saques mensais de R$ 400 mil em dinheiro, feito por funcionários da Cohab em bancos e entregue diretamente ao então presidente da companhia.