Há meses o isolamento social e as restrições para conter a Covid-19 foram impostas. Ao longo desse período, faltaram respostas e sobraram inseguranças e medos diante de um vírus ainda sem cura ou vacina. Tudo isso trouxe forte impacto à saúde mental, alertam especialistas.
Se no início da pandemia os sintomas físicos eram os mais monitorados, hoje os sinais emocionais também são bastante valorizados. Com o mote da data, psicólogos e psiquiatras reforçam que é preciso ouvir o que o corpo nos diz. Entre os sinais de alerta estão perda de energia, desânimo, alterações de sono e apetite, perda do interesse pelas atividades que gostava de fazer, entre outras.
A psicanalista Lindinaura Canosa, da Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro (SPCRJ), explica que cada faixa etária pode responder de uma forma ao isolamento imposto pela pandemia, e que é preciso pensar especificamente em cada grupo para evitar agravamento de seus quadros.
"Em idosos, (o isolamento) deflagrou ou agravou quadros de demência, assim como os de depressão. Eles têm fragilidades que são apoiadas pela convivência, e estão isolados, principalmente os que têm dificuldade de usar as novas tecnologias", afirma, lembrando dos mais novos. "As crianças também estão sofrendo, tendo pesadelos. Precisamos, da maneira que for possível, evitando riscos, restabelecer o contato com quem se ama."
Os estudos sobre os efeitos da pandemia da Covid-19 na saúde mental ainda são iniciais, mas já indicam que houve um grande impacto, gerando mais sintomas de transtornos, como da ansiedade e da depressão. Uma dessas pesquisas é a do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Realizada entre março e abril, ela mostrou que, neste período, o percentual de pessoas com sintomas de depressão saltou de 4,2% para 8,0%, enquanto para os quadros de ansiedade o índice foi de 8,7% para 14,9%.