11 de julho de 2026
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Saúde pública X direito individual: o crescimento do movimento antivacina

Adriele Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Na última segunda-feira (7), o Governo do Estado de São Paulo anunciou que a vacina contra a Covid-19 estará disponível para os grupos de risco a partir do dia 25 de janeiro. O Plano Estadual de Imunização contra o Coronavírus prevê a vacinação de 9 milhões de pessoas durante a primeira fase da campanha, que prioriza idosos acima de 60 anos, profissionais de saúde e grupos quilombolas e indígenas.

Conhecido como CoronaVac, o medicamento em questão foi desenvolvido pela biofarmacêutica Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, e apresentou eficácia em 97% dos participantes analisados, conforme apontou a revista científica The Lancet. A novidade dividiu opiniões e reforçou a poderosa onda do movimento antivacina, que teve um crescente aumento durante a pandemia.

Embasados em discursos negacionistas, os críticos à vacinação minimizam a gravidade da doença e chegam a compará-la com uma gripe comum. Além disso, a divulgação de notícias falsas reforça o "temor" de parte da população diante da nova vacina, o que prejudica a adesão à campanha de imunização. Fake News que associam a vacina ao autismo e a alteração do DNA estão entre as mais difundidas entre as redes sociais, conforme aponta uma pesquisa divulgada pela Unicamp. A "liberdade individual" também tem sido usada como escudo pelos "antivacinas", que se escondem atrás do direito previsto na Constituição Federal para levar seus ideais adiante.

O ponto chave da questão é que, seguindo as leis brasileiras, a saúde pública prevalece sobre a liberdade de escolha, já que se trata de um bem comum. Deixar de se vacinar não impacta apenas a vida de quem assume o risco, mas sim de milhares de pessoas. Há vários grupos de riscos, como os alérgicos a medicamentos, que não podem ser vacinados e, em casos de baixa adesão a vacina, ficam suscetíveis a doenças.

Os argumentos errôneos disseminados pelos adeptos ao movimento antivacina refletem diretamente na quantidade de brasileiros que não pretendem receber a aplicação das injeções. De acordo com o Datafolha, 25% das pessoas entrevistadas em outubro afirmaram que são contra a vacinação, o que significa que a cada quatro pessoas, uma não será imunizada.

Não é à toa que o Brasil está entre as nações com maiores índices de redução das coberturas vacinais. Em 2019, por exemplo, o país enfrentou um surto de 15 mil casos de sarampo, doença que havia sido erradicada no país. Desta maneira, pode-se concluir que a vacinação é crucial para o combate a disseminação da Covid-19 e deve ser aderida pela população após a comprovação de sua eficácia.

A autora é jornalista