11 de julho de 2026
Cultura

'Mulher-Maravilha 1984' carece de humor

Neusa Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Imortal e imune ao envelhecimento, Mulher-Maravilha, papel de Gal Gadot, é uma heroína acima do tempo. Dessa forma, nenhuma surpresa que "Mulher-Maravilha 1984" - que tem pré-estreia nos cinemas de Bauru nesta quarta (16) - invista mais uma vez em sua vocação vintage, misturando aventura com filme de época, tal como o primeiro filme da personagem, o sucesso "Mulher-Maravilha", de 2017.

Com a ambientação na década de 1980, era esperado um bom proveito cômico dos figurinos e sucessos pop do período para embalar as proezas de Diana Prince. Humor, no entanto, é o que mais falta neste filme. Uma ausência mais dramática é a de um vilão de respeito - e o histérico Max Lord, papel de Pedro Pascal, não chega nem perto disso. Dono da suspeita Cooperativa Ouro Negro, o empresário maníaco busca investidores para seu negócio arruinado quando descobre uma misteriosa pedra com poder de atender a qualquer desejo.

Depois de um roubo, a pedra foi parar no Instituto Smithsonian, em Washington, para estudo da gemóloga Barbara Minerva, interpretada por Kristen Wiig, colega complexada de Diana, que também trabalha como pesquisadora da instituição. Infelizmente, nem mesmo o comprovado timing cômico de Kristen Wiig tem qualquer aproveitamento.

O elemento catalisador está nos desejos que a pedra atende, inclusive o de Diana - atenção para spoiler a seguir - , que vê reaparecer o namorado morto no primeiro filme, Steve, papel de Chris Pine, ainda que ocupando o corpo de outro homem. Ela, no entanto, o enxerga como ele sempre foi, o que pode dar alguma confusão inicial. Steve também parece ter reaparecido para atenuar a solidão e autossuficiência que são as marcas registradas desta heroína inteligente, pró-ativa e quase sempre impecavelmente vestida como uma executiva, com direito a saltos altíssimos, exceto quando está usando seu uniforme típico - figurinos, todos eles, aliás, trazendo uma visão um tanto antiquada da figura feminina aos olhos de hoje.

A bem da verdade, há tentativas de atualização da inegável natureza feminista de Diana, particularmente em sua intervenção contra um homem que ataca Barbara num parque à noite. Mas o roteiro assinado por Patty Jenkins, Geoff Johns e David Callaham, trai igualmente um excesso de preocupação em não tornar a protagonista agressiva demais.

Quando ela mesma sofre assédios em série numa festa de gala, ela procura sempre sorrir ou escapar, ou as duas coisas. A fúria contra agressores fica por conta de Barbara, mas só depois que ela sofre uma radical mudança de personalidade ao ter atendido seu próprio desejo mágico.