10 de julho de 2026
Nacional

Relatório mostra falhas antes, durante e após apagão no Amapá

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Após a explosão que deixou 14 das 16 cidades do Amapá no escuro, na noite de 3 de novembro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) fez "diversas tentativas" de ligar para o telefone de emergência da distribuidora estadual CEA para coordenar o processo de retomada do fornecimento. Ninguém atendeu, diz o operador. A linha telefônica de emergência, conhecida como hotline, existe justamente para a rápida comunicação em situações adversas. Para o ONS, a falta de atendente não é usual. "Foi uma situação atípica", disse.

A distribuidora teve problemas também com sistemas de comando remoto de suas subestações, precisando enviar equipes para religar disjuntores manualmente, "retardando o processo de recomposição fluente da área de Macapá", diz o operador.

As dificuldades, descritas no relatório que investigou a ocorrência, reforçam a percepção do mercado de que falhas de planejamento e fiscalização de autoridades do setor elétrico e empresas envolvidas contribuíram com a crise que deixou os amapaenses 22 dias com fornecimento precário de energia.

O relatório, divulgado no dia 7 de dezembro, ainda não aponta culpados, mas indica que diversos agentes envolvidos falharam antes, durante e depois da explosão, que ocorreu numa noite de fortes chuvas na Capital do Amapá.

A situação do sistema elétrico do Estado já era precária, com dois equipamentos importantes fora de operação: um dos três transformadores da subestação e de uma unidade geradora da usina hidrelétrica Coaracy Nunes, que complementa o fornecimento de eletricidade na região atingida.

As principais críticas do setor recaem sobre a falta de ação tanto do ONS quanto da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) diante da ausência dos equipamentos. A subestação Macapá opera com dois transformadores e tem um terceiro como backup em caso de problemas em um dos outros.

O equipamento, porém, estava fora de operações desde dezembro de 2019 e, mesmo diante de uma série de adiamentos no prazo de retorno, nenhuma atitude foi tomada pelas autoridades. Em maio, a operadora da subestação, Gemini, informou ao ONS que teria de levar o transformador para a fábrica.

A situação de precariedade foi agravada em outubro de 2020, quando a Eletronorte parou, também para manutenção, uma das três unidades geradoras da usina hidrelétrica Coaracy Nunes, reduzindo a capacidade de geração de energia no estado.

O Amapá é considerando uma ponta do sistema elétrico: está conectado ao resto do País por apenas um sistema de transmissão, que é composto por duas linhas e duas subestações de alta tensão. A subestação mais ao norte, em Macapá, atende 14 dos 16 municípios do Estado.

Acima dela, está a hidrelétrica Coaracy Nunes, que ajuda a estabilizar a tensão na rede e ajudou a restabelecer parte do suprimento após o apagão.