10 de julho de 2026
Cultura

Lideranças culturais esperam diálogo e tratamento igualitário

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Não é segredo para ninguém: o setor cultural sofreu - e muito - por conta da pandemia no novo coronavírus. Quando a quarentena começou a valer nos 645 municípios do Estado de São Paulo, no dia 24 de março deste ano, determinada pelo governador João Doria, shows - de música, dança e teatro - foram cancelados de um dia para o outro, projetos foram engavetados, lançamentos ficaram parados, casas de show, bares e inúmeros espaços culturais foram fechados. E em Bauru não foi diferente.

A Lei Aldir Blanc, ajuda emergencial ao setor cultural por conta dos impactos da pandemia do novo coronavírus, deu um "respiro". Mas não para todos. Por isso, na última semana, diante de um novo governo municipal, lideranças artísticas de Bauru se reuniram com a prefeita eleita Suéllen Rosim para entregar a ela uma carta com sugestões para o setor cultural na cidade.

O texto foi escrito após articulação da classe artística e contou com a assinatura de 28 grupos dos mais diversos segmentos culturais da cidade.

Ivo Fernandes, presidente do Conselho de Política Cultural de Bauru e organizador do Movimento Coletivo Samba, afirma que a iniciativa pode ser considerada um marco na história da cultura da cidade. "Buscamos envolver os mais diversos grupos neste diálogo. Acredito que, com a união dos esforços destas lideranças, possa estar surgindo um novo momento para a arte e a cultura de Bauru", explicou. "Dentre os desafios que estão por vir, existem os pontos que colocamos como prioridade na deliberação do Conselho, aprovada em assembleia, com algumas diretrizes para nova gestão."

Com essa intenção de estabelecer um diálogo com a futura gestão, em prol do fortalecimento da arte e da cultura em Bauru, representantes de segmentos culturais esperam por melhorias para a pasta nos anos que virão.

É o caso de Paulo Tonon, produtor de audiovisual e 1º secretário do Conselho de Política Cultural de Bauru. Ele ressalta seu desejo de que exista um tratamento igualitário entre os oito segmentos que são reconhecidos como permanentes pela pasta (música, teatro, dança, literatura, hip hop, cultura popular, audiovisual e artes visuais). "O ideal seria ter uma isonomia na distribuição das verbas entre os oito segmentos que têm cadeiras no Conselho de Política Cultural. Destes segmentos, alguns recebem altas verbas e outros não são contemplados com verbas há muitos anos pela prefeitura da cidade", afirma.

Carol Guerra, uma das idealizadoras e organizadoras do Fuzuê 014 e integrante do Fórum Regional de Cultura de Bauru destaca que é preciso manter uma atuação de união e sintonia entre a classe e a Secretaria Municipal de Cultura. "Há uma expectativa para o Conselho Municipal de Políticas Culturais, pois através dele conseguimos muitas conquistas para nós. Entretanto, sentimos necessidade de incluir outras cadeiras e representantes no Conselho, com mais mulheres, LGBTQIA , negros, indígenas, produtores, técnicos, entre outros", afirma a produtora.

SECRETÁRIA INDICADA

Tatiana Sá é a indicada da prefeita eleita Suéllen Rossin para assumir a Secretaria Municipal de Cultura. Ela é formada em Artes Cênicas, especialista em Análise Corporal e Arte Educadora no Centro de Educação Musical Adriana Rossetto