Visando lutar pela manutenção do Hospital das Clínicas (HC), em Bauru, cerca de 50 pessoas, entre entidades, lideranças de bairros, autoridades e estudantes de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), deram um abraço simbólico na unidade de saúde na manhã desta quarta-feira (23). O protesto foi encabeçado pelo Movimento HC Já, que busca uma audiência com o governador João Doria. O grupo luta para que o local, que funciona, atualmente, como hospital de campanha, seja aberto como hospital geral e mantenha os atendimentos mesmo após a pandemia.
Presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e coordenador da iniciativa, Reinaldo Cafeo revela que acompanha o imbróglio envolvendo o HC há algum tempo. "Eu percebi que, só mandando ofícios por meio de uma única entidade, não resolveria o problema e chamei algumas instituições que se aproximaram de nós durante a gestão da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus", relata.
O grupo, então, se formou no mês passado. "Em um primeiro momento, nós entendemos que o melhor caminho era enviar um ofício ao governador. Em seguida, eu participei de uma audiência pública na Câmara de Vereadores, momento em que surgiu a ideia de organizar um evento para chamar a atenção para a nossa causa", relata.
Agora, o HC Já pretende marcar uma audiência com Doria para solicitar que o governador cumpra a promessa feita quando ele esteve em Bauru: manter o hospital de portas abertas após o término da vacinação contra a Covid-19. "Se existe um prédio pronto, nada mais justo que outra unidade de saúde pública comece a funcionar", argumenta.
Além da Acib, as entidades participantes do movimento são: Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP); Sindicato dos Contabilistas de Bauru e Região (Sindcon); Bauru Shopping; Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag); Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp); Associação Paulista de Medicina (APM); Câmara dos Dirigentes Lojistas de Bauru (CDL); Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio Bauru e Região); Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru (Sim comerciários); bem como Associação dos Maçons de Bauru e Região (Assoma).
'PRIMEIRO DA PAUTA'
A prefeita eleita Suéllen Rosim também participou do ato. Ela adiantou que se reunirá com o governador no dia 8 de janeiro de 2021 e o assunto será o primeiro da pauta. "O movimento resume bem o desejo de todos os bauruenses e, se nós unirmos forças, a vontade política se tornará pequena perto desta gana de resolver o problema", reitera.
Já o vice-prefeito eleito e futuro titular da Secretaria Municipal da Saúde, Orlando Costa Dias, frisa que o HC precisa de adaptações e quer cobrá-las de Doria. "É importante que os estudantes de Medicina tenham um lugar para fazer o internato", observa.
MAIS APOIO
O atual secretário da Saúde, Sérgio Henrique Antonio, relembra que a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) chegou a anunciar o fim das atividades do HC para o início deste mês, contudo, conforme o JC noticiou, um dia depois do comunicado, o Estado prorrogou o funcionamento como hospital de campanha. "Após passar o cargo ao Orlando, eu ainda estarei na luta como médico e munícipe de Bauru para a manutenção do hospital", promete.
Presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, Telma Gobbi ressalta que a USP também precisa ser cobrada. "Nós temos uma demanda reprimida de quase 50 leitos e o hospital foi feito para 222 vagas, porém, se houvesse 180, já resolveria o problema da região por muito tempo", diz.
Outras autoridades participaram do protesto, como os vereadores Coronel Meira, Sandro Bussola e Mané Losila, além do parlamentar eleito Eduardo Borgo.