10 de julho de 2026
Geral

Games se tornam 'companhia' durante isolamento e setor cresce na quarentena

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Se há um setor que não sentiu impactos negativos da crise do novo coronavírus em 2020, foi o de games. Pelo contrário. O faturamento superou cinema e música, com uma larga folga. Em um momento em que teatros e cinemas estiveram fechados, sem contar os inúmeros shows cancelados Brasil e mundo afora, a indústria de games surfou na "onda do ócio".

Com mais gente em casa, os jogos eletrônicos foram bons companheiros durante o período de isolamento, ajudando a passar o tempo e a relaxar a mente. Para o assistente de atendimento Leonardo Lucas Celestino, de 22 anos - que teve de se afastar do trabalho por seis meses por ter diabetes e, assim, estar no grupo de risco da Covid-19 -, os games consolidaram um lugar no coração e na casa dele, em Bauru.

"Sempre gostei, mas foi agora, em 2020, que passei a jogar mais e a incrementar meu PC Gamer", conta. "Foram seis meses afastado e seis meses jogando. Como moro sozinho e fiquei muito isolado, os games, sem dúvida, foram uma companhia durante esse período. Faziam as horas passar mais rápido e eu podia interagir com os outros jogadores pelo chat e por áudio", completa.

Fone de ouvido, mouse, teclado, adaptador de console e tantos outros assessórios foram aperfeiçoando a experiência de jogo de Leonardo, que, recentemente, ainda ganhou um Playstation 5 (PS5) - grande expectativa para 2021. "Minha mãe trouxe dos Estados Unidos para mim e é uma delícia de jogar. Já o PC eu fui montando aos poucos durante o ano e, agora, não trava em nada. Está ótimo também", comenta o gamer, que é apaixonado pelo jogo "League of Legends".

AQUECIMENTO

Assim como Leonardo, outras tantas pessoas passaram a consumir mais acessórios, aparelhos e jogos eletrônicos nesta pandemia. Pesquisa desenvolvida pela Superdata, empresa controlada pelo grupo Nielsen, indicou que o total gasto com jogos digitais, em março de 2020, bateu a marca de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões) no mundo, montante mensal jamais alcançado anteriormente.

Fabiana Helena Martins Silva, que trabalha no ramo de jogos eletrônicos há mais de 20 anos, confirma o aquecimento diferenciado do mercado neste 2020. Com o marido, ela mantém três lojas em Bauru, que atendem demandas de manutenção e venda de games. "Tivemos um aumento de 30% a 40% na procura pelos nossos serviços neste ano. Depois da pandemia, muitas pessoas passaram a nos procurar para consertar aparelhos antigos e também para comprar novos jogos", afirma.

Além dos "gamers de plantão", Fabiana também notou um envolvimento maior dos outros membros da família na compra de jogos. "Games com extensor de movimento e para toda a família jogar junto também se destacaram no período", frisa.

DESTAQUES

Essa movimentação também foi sentida na loja de Álvaro Jansser, que comanda o negócio há 2 anos e meio. "Antes, quem nos procurava já era um público mais entendido de games. Neste ano, passamos a receber muitas pessoas que buscavam informações, compravam pela primeira vez ou davam presentes para filhos, sobrinhos e netos. Um público mais diversificado", comenta o comerciante, que destaca a performance de venda dos jogos Fifa 21 e, mais recentemente, do Cyberpunk 2077.

Para 2021, além dos consoles Xbox Series X e Playstation 5 - que já estão sendo vendidos -, ainda há boas possibilidades de lançamento do jogo Grand Theft Auto (GTA) 6, após mais de sete anos de seu antecessor. "A gente espera que as vendas continuem aquecidas, mesmo com tudo voltando à normalidade, com essas novidades", finaliza Álvaro.