08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Verão escaldante

Roque R. Pires de Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Acabou 2020! Ainda na primavera um sol escaldante e, agora, um verão chuvoso que promete ser muito quente também. Quando anoitece, a cidade veste sua roupagem alegre das festas natalinas, com suas lojas e vitrines repletas de multicoloridas luzes. Na praça remodelada luzes diferenciadas exibem os pingos d'água escorrendo pelos troncos em deslumbrante iluminação feérica. Pelas ruas, muitas pessoas com máscaras em um carnaval diferente, ficam admiradas com o movimento citadino e, no interior das lojas, som alto, sorrisos contidos e sacolas em profusão. Comércio agitado como esse nunca fora visto na cidade.

Anteriormente província, hoje metrópole! Chuvas de verão não avisam... Nuvens prenunciam sua possibilidade e quando chegam são acompanhadas de vento forte. Com a insistência dos coriscos, raios e o ribombar do trovão, a cidade grande se assusta. Lojas fecham suas portas, ruas e calçadas são lavadas pelas águas da correnteza e os transeuntes procuram abrigos sob toldos e marquises das grandes lojas.

Árvores centenárias agonizam com seus galhos semidespidos, revelando uma oração tristonha. Pássaros em seus ninhos tentam proteger seus filhotes e as outras aves buscam nos telhados vizinhos um melhor abrigo. Na casa grande, uma família numerosa está preocupada com o intenso barulho das chuvas no telhado e fazem uma oração para Santa Bárbara amainar a tormenta. Longe dali, só o ladrar assustado dos cães de rua.

O homem que estava sob a marquise, todo encharcado e assobiando para disfarçar o medo, não era mais visto por ninguém. Os carros sumiram como que por encanto. Vento forte acionava os sinos da igreja e seu bimbalhar desencontrado parecia ser o mesmo que chamava os fiéis para a missa domingueira.

Trovoadas ao longe davam a impressão de estar afugentando o vendaval para além da serra. Movida por uma força superior, chuva fina passou a respingar sobre os prédios, casas, lojas, ruas, avenidas, árvores e flores do jardim.

Lentamente as luzes artificiais foram restabelecidas e a cidade retomava sua agitação. Uma lua branca, escondida sobre algumas nuvens, parecia oferecer sua Paz sobre a Terra. Na casa grande, a família estava reunida em frente ao silencioso presépio, momento de agradecer a Deus pela saúde de todos e a oportunidade da reunião. Na oração foram lembrados os nomes de todos os queridos que partiram, atravessando para o outro lado da rua.

Efusivos votos de um Feliz Ano Novo ecoaram não só para os presentes, mas para toda a Humanidade em busca da Saúde e da Paz na Terra aos homens de boa vontade!