08 de julho de 2026
Geral

Superação marca os 15 anos de Sofia


| Tempo de leitura: 4 min

Vestido e bolo cenográficos, troca de sapato, a valsa: a festa de debutante é um rito de passagem importante e que mexe com o imaginário e os desejos de muitas garotas.

Nesse ano marcado pela pandemia de covid-19, a jovem Sofia Macedo da Silva e Silva, de Manaus (AM), completou 15 anos de uma maneira diferente. Nascida com fissura labiopalatina, ela esteve em Bauru no dia de seu aniversário, 14 de dezembro, para atendimento no HRAC/Centrinho-USP, onde faz tratamento desde o primeiro ano de vida e já passou por cerca de dez procedimentos cirúrgicos.

"Esse aniversário pode até não ser aquele idealizado, mas não deixa de ser especial. Afinal, é uma vida aqui dentro do Centrinho, com muitas vitórias", comemora a mãe, Michelle Amaral da Silva, 37, atualmente dona de casa. "Nunca faltamos a um atendimento. Todo o esforço vale a pena. O sorriso da Sofia é a maior recompensa".

META É FAZER ODONTO NA USP

Vaidosa, Sofia adora fazer maquiagem, colorir livros de desenhos e assistir a vídeos no celular. A jovem acaba de concluir o nono ano e, em 2021, iniciará o ensino médio.

"Desde pequenininha, sempre fiquei encantada com as odontopediatras, o jeito que elas cuidavam de mim e toda a preparação para as consultas. Elas me davam desenhos, faziam várias brincadeiras e eu achava tudo muito divertido. Quero fazer o mesmo trabalho que elas, ajudar outras crianças com fissura. Meu sonho é fazer faculdade de Odontologia na USP em Bauru, especialização em Odontopediatria no Centrinho, e trabalhar com pacientes fissurados", revela.

PRIMEIRO ANINHO SEM FESTA

"Quando descobri pelo ultrassom que a Sofia iria nascer com uma malformação, fiquei aflita, chorei muito. O doutor Fabian Sevilla Callejas [falecido em 2011], cirurgião plástico para quem eu trabalhava, me tranquilizou muito. Disse que era algo simples e que ele mesmo faria a cirurgia para fechar o lábio, o que foi feito quando Sofia tinha sete meses", lembra Michelle.

Segundo a mãe, Sofia não pegava o peito e teve dificuldade para ganhar peso nos primeiros meses. "Eu pensava que não conseguiria cuidar dela. Era inexperiente e só não enlouqueci porque minha irmã e a avó e as tias paternas da Sofia me ajudaram muito".

Michelle relembra que conheceu o Centrinho-USP também por indicação do cirurgião plástico. "O doutor Fabian disse: 'Como a Sofia tem o palato aberto, existe um centro aqui no Brasil que, quando você chegar lá, vai achar que está no primeiro mundo. Lá tem um excelente atendimento e você vai continuar o tratamento dela nesse lugar'".

Sofia chegou ao Centrinho-USP com um ano e um mês. Foi sua tia Kezia Macedo quem entrou em contato solicitando agendamento. "Não comemoramos com festa o primeiro aniversário dela. Tudo era novo para a gente e não sabíamos o que enfrentaríamos em Bauru. Então economizamos o dinheiro para a viagem, na qual fomos eu, Sofia e minha sogra. Ficamos alguns dias na cidade para a cirurgia", conta Michelle.

Quando Sofia tinha um ano e sete meses, o pai faleceu. Mais tarde, aos seis anos de Sofia, Michelle casou com o atual marido. "Meu esposo tem ela como filha, dá o sangue por nós duas".

'MINHA FILHA É A PRIORIDADE'

Formada em Administração, Michelle recorda que já chegou até mesmo a pedir demissão de emprego para poder se dedicar aos cuidados com Sofia. "A Sofia ainda era bebê e eu trabalhava como recepcionista em uma escola. Tínhamos que vir a Bauru e perguntei se eles poderiam fazer banco de horas para depois eu compensar. A administradora simplesmente falou que não, que eu tinha que escolher: ou era minha filha ou o emprego. É claro que a minha filha é a prioridade. Pedi demissão".

"Por tudo o que já passamos, sempre que encontro alguma mãe desanimada ou pensando em desistir do tratamento, eu falo: 'Amiga, se você desistir e não lutar pelo seu filho, quem vai fazer isso? Temos que encontrar forças e seguir'. Graças a Deus, a muita força de vontade, a essa equipe maravilhosa do Centrinho e a tantos anjos que encontramos ao longo desses anos, a Sofia tem obtido uma excelente evolução e está quase finalizando o tratamento. Só temos a agradecer a todos do Centrinho, ao doutor Fabian, lá atrás, ao doutor Fernando Herkrath, dentista que acompanha a Sofia em Manaus, e também à fonoaudióloga Laryssa Lopes, do Instituto Yaçuri da Amazônia [centro de fissura em Manaus]", finaliza.