Ao caminhar pela cidade, ainda dá para identificar os resquícios dos problemas provocados pela chuvarada do último mês, que registrou a maior precipitação acumulada para dezembro desde 2001: 467,1 milímetros. A título de comparação, o índice do mesmo período de 2019 chegou a 217,2 milímetros, menos da metade do valor. Apesar disso, 2020 não conseguiu alcançar a média anual de chuvas, que gira em torno de 1,5 mil milímetros na soma dos 12 meses - assim como aconteceu em 15 dos 20 anos contemplados pela série histórica do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet).
O meteorologista José Carlos Figueiredo explica que o Sudeste do País depende de dois sistemas de grande escala para apresentar precipitação, sendo um oriundo da África e outro chamado Alta Boliviana.
Segundo Figueiredo, geralmente, ambos costumam atuar entre a segunda quinzena de outubro e o final de março. "Porém, desta vez, o sistema oriundo da África só chegou no fim de novembro, causando o excesso de chuvas desde então", complementa.
Ainda de acordo com o meteorologista do IPMet, de 2001 para cá, apenas cinco anos conseguiram alcançar ou superar a média anual de chuvas: 2009, 2011, 2015, 2016 e 2017. "Analisando os dados históricos, eu creio que 2021 siga a mesma tendência de 2020 e não ultrapasse os 1,5 mil milímetros esperados", acrescenta.
ESTRAGOS
Ainda assim, as chuvas previstas para este ano podem causar estragos, afinal, uma precipitação de 40 milímetros por uma hora já é suficiente para tanto. Inclusive, no mês passado, houve uma série de problemas decorrentes do aguaceiro.
Conforme o JC noticiou, no último dia 6, uma chuva forte provocou alagamento perto da ponte da linha férrea da Fepasa, na avenida Nações Unidas, onde um carro chegou a ficar submerso. Na ocasião, o motorista tentou atravessar, mas ficou com o veículo sob a água. Ele não se machucou e foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros.
No dia seguinte, mais chuva. Tanto que o muro de uma residência situada entre as ruas Naer Murback com a Henrique Hunzicker, no Jardim Redentor, caiu completamente. A Defesa Civil recomendou a interdição total e imediata da casa.
A esquina da rua Capitão Alcides com a quadra 24 da avenida Duque de Caxias, ao lado do canteiro de obras das marginais da Marechal Rondon (SP-300), também teve o asfalto deslocado em mais de 10 metros da sua extensão.
Em 16 de dezembro, o Zoológico e o Jardim Botânico de Bauru foram fechados por causa da queda de diversas árvores. Na mesma data, várias casas acabaram destruídas no Ferradura Mirim.