10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Micros e pequenos se profissionalizam na pandemia para sobreviverem no mercado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Além de custar vidas, a pandemia da Covid-19 provocou prejuízos financeiros para as empresas e perda de empregos para milhares de trabalhadores, que tiveram de buscar soluções para contornar a crise ou ao menos sobreviver em meio a ela. É um momento de dificuldade que forçou um grande número de empreendedores de primeira viagem e de donos de pequenos negócios já consolidados a correrem atrás de aprimoramento na área.

Segundo o Sebrae-SP, a procura por consultorias online triplicou em 2020, na comparação com 2019, e o número de inscritos em cursos de educação a distância (EAD) mais que duplicou no período. De acordo com a regional da entidade em Bauru, a mesma proporção de alta foi registrada na cidade e em mais 36 municípios vizinhos.

Para se ter ideia, nos primeiros 11 meses do ano, 4,6 mil pessoas se tornaram microempreendedores individuais (MEIs) em Bauru (leia mais abaixo). Segundo a consultora de negócios do Sebrae Bauru Patrícia Zuccari, a maior dificuldade enfrentada por MEIs e donos de micro e pequenas empresas foi sobre como gerir as finanças, que foram fortemente impactadas com as restrições mais rígidas impostas no início da pandemia para conter a propagação do novo coronavírus.

"Boa parte não estava preparada para fazer a gestão de seus negócios de forma mais profissional. Muitos empreendedores tinham dúvidas até mesmo sobre o acesso às linhas de crédito que foram oferecidas pelo governo. Tinha quem sequer soubesse o valor de que precisaria para reerguer a empresa", comenta.

LEGISLAÇÃO

Outra consultoria bastante requisitada foi para implantação ou aperfeiçoamento de estratégias de vendas online, que se consolidaram durante a pandemia, diante da recomendação para que as pessoas mantivessem distanciamento social. Ainda de acordo com Patrícia, também houve procura alta para cursos EAD sobre legislação, muito em função dos programas instituídos pelo governo federal, como o que possibilitou a redução proporcional de jornadas e salários nas empresas.

"O empreendedor foi forçado a remodelar seu negócio, a ter maior controle sobre as finanças e a encontrar novas oportunidades. E tudo isso trouxe maturidade para estes negócios. É um aprendizado que será levado, inclusive, para depois da pandemia", analisa a consultora.

Muitos donos de pequenos negócios que acumularam prejuízos e trabalhadores que perderam seus empregos e vislumbraram no microempreendedorismo uma possibilidade de obtenção de renda também recorreram aos cursos online gratuitos oferecidos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon), por meio de um programa de parcerias com a iniciativa privada.

'DO ZERO'

Uma das áreas mais procuradas foi, de fato, a de geração de renda, marketing digital e vendas online. "Tivemos uma adesão muito boa. Principalmente os MEIs não tinham experiência neste tipo de estratégia e precisaram se adequar. Para quem nunca empreendeu e está começando agora, também temos cursos para explicar, por exemplo, como precificar produtos e serviços", pontua a diretora do Departamento de Relações do Trabalho, Emprego e Turismo da Sedecon, Tatiana Rosária Rodrigues.

De acordo com ela, os cursos devem ser mantidos ao menos até meados de 2021 para continuar auxiliando estes empreendedores nesta fase crítica. Durante a pandemia, cerca de 2 mil empreendedores acessaram as plataformas digitais da Sedecon, sendo que 750 fizeram algum tipo de capacitação. Já a Casa do Empreendedor, vinculada à secretaria, realizou mais de 10 mil atendimentos remotos e cerca de 5 mil atendimentos presenciais em 2020.