A grande oscilação no preço do cimento (leia mais abaixo) está afetando até os trabalhos do poder público em Bauru. O DAE enfrenta a falta do material e informa que há mais de 2 mil reposições de calçada em aberto, aguardando o produto, que será comprado emergencialmente. Da mesma maneira, com dispensa de licitação, a Prefeitura de Bauru adquiriu 160 sacos de cimento para a Secretaria de Obras neste início de ano, totalizando R$ 4,8 mil.
Em nota, o DAE aponta que, devido à atual situação econômica do País e falta de matéria prima no mercado, enfrenta dificuldades para obter orçamentos de cimento devido às oscilações de preços ofertados pelas empresas, que culminaram em licitações fracassadas.
O órgão complementa que realizará compra emergencial do produto para suprir a demanda de serviços pendentes acumulados nesse período, como recomposição de calçadas e reconstrução de bueiros do tipo poço de visita. A quantidade que será adquirida não foi divulgada.
Atualmente, segundo a autarquia, constam 2.173 reposições de calçada em aberto, que serão executadas logo após o recebimento do material.
MESMA DIFICULDADE
A Secretaria de Obras esbarra na mesma dificuldade de aquisição de cimento. O material é utilizado pela pasta nos reparos em calçadas públicas, como praças, parques e rotatórias, além de servir como mistura para solo-cimento, utilizado pela Usina de Asfalto.
Apesar de reclamações de munícipes, a Secretaria de Obras alega que a falta do cimento ainda não prejudicou seu cronograma. A pasta, contudo, informa que houve abertura de quatro licitações ao longo do ano passado e elas fracassaram, porque as empresas não participaram por falta de interesse, provavelmente por conta da oscilação do preço do cimento.
Além do lote emergencial que chegará esta semana, a Obras também está comprando outros 3,8 mil sacos de cimento, por licitação, cuja aquisição deverá ser concluída em torno de 20 dias. O valor da licitação é de R$ 118.142,00.
BURACO
Segundo André Menezes, 39 anos, morador da rua São Gonçalo, no Altinópolis, a prefeitura foi consertar, nesta terça-feira (12), um buraco na quadra 7 da via após ele e outros moradores insistirem pela obra - quase que diariamente - desde 21 de dezembro. O munícipe reclama que o problema só foi solucionado após ele avistar funcionários do DAE, trabalhando em outra rua próxima, e correrem até lá para pedir ajuda.
"Ligamos para Obras, que informou ser buraco do DAE. Ligamos para o DAE, que, na época, informou ser um problema da Secretaria de Obras. E não veio ninguém. Um tempo depois, vieram para colocar terra, mas a chuva levou. Nós nos informamos com servidores que há escassez de cimento e outros materiais, tanto na prefeitura quanto no DAE. E que isso resulta na demora nos consertos. Minha calçada estava quase cedendo. Pavimentaram e concretaram hoje (ontem) e, finalmente, vou poder sair de casa com o carro", comenta André Menezes.