10 de julho de 2026
Articulistas

Estratégia: do egoísmo ao desapego

Manoel Messias Mello
| Tempo de leitura: 3 min

O Natal de 2020 nos trouxe momentos de reflexão importantes. Voltamos à origem da reunião em família para comemorar o nascimento da maior liderança de todos os tempos: Jesus! Isso é fantástico e serve para nossa vida e nossos negócios. E a reflexão passa, necessariamente, pelos sete pecados capitais: luxúria, gula, avareza, ira, orgulho, inveja e preguiça.

Na consultoria, tenho falado sobre os estados de consciência em que o ser humano se posiciona nas diversas fases da vida. Não há mais certo ou mais errado. Permanecemos mais ou menos tempo em cada um deles. O que importa é saber que em todos eles há um lado luz e um lado sombra que direcionam nossas atitudes. Vamos, então, considerar duas situações. O lado luz podemos indicar como a estratégia para nossa vida e para o exercício da liderança. Para os negócios, podemos indicar os principais pecados capitais dos empreendedores, executivos ou profissionais liberais por meio do lado sombra. É o não aprendizado com a reflexão que nos trouxe esse Natal do reencontro.

Ser é um estado de consciência que reporta o ser humano a um lado luz relevante que é de afirmação. Sim! É necessária essa busca incessante de auto afirmarmos que somos capazes. O limite, entretanto, está em seu lado sombra, que é o egoísmo. Quando estacionamos nesse estado esquecemos a existência do outro.

Ter é um segundo estado de consciência. O seu lado luz é o início da capacidade de pedir. Começamos a entender que nada é possível sem a ajuda de alguém. O seu lado sombra é a ganância. Sempre queremos mais e mais. A relação negocial pressupõe um processo de ganha-ganha. Quando o empresário passa a não perceber que somente ele está ganhando, iniciamos um erro fundamental nos negócios, que é a destruição de nossos clientes e de nossa força do trabalho.

Fazer representa a etapa de amadurecimento em que a liderança empática ganha corpo e o ser humano passa a exercitar o amor. A ágape, pode ser o amor que se doa ou o amor incondicional, mas o mais significativo é que o outro é muito importante para nossa vida. Entretanto, o seu lado sombra nos indica para um controle excessivo. Nesse estágio, o administrador perde uma importante variável do sucesso, que é a descoberta de talentos.

Servir é o nível de consciência onde podemos ver o lado luz do desapego. Enxergamos a todos indistintamente, sem preconceitos e julgamentos. Passamos até mesmo a praticar a caridade pensando na dignidade do ser humano. Porém, nesse estado de consciência, a sombra é por demais prejudicial, pois agimos com total intolerância em relação as atitudes das pessoas. Na empresa, o líder passa a ser soberano na forma de pensar e de agir. Todos deveriam ser iguais a mim, diria! Chega-se à arrogância.

A reflexão em nossa vida nessa virada de ano é buscar o lado luz em nossa consciência. Na vida profissional, que não se dissocia de nossa história de vida, evitar o lado sombra nas relações com stakeholderes de nossos negócios. Enfim, a estratégia é caminhar do egoísmo ao desapego.

O autor é consultor e palestrante especialista em Planejamento, Estratégia e Liderança. Sócio diretor na MO Consult.