10 de julho de 2026
Articulistas

Políticos, sejam estadistas!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

OBrasil acabou não fazendo a lição de casa e se perdeu na discussão de quem assumiria o protagonismo durante a pandemia. Em meio a um negacionismo sem sentido, pagaremos o preço: a economia não crescerá na magnitude que poderia e vidas serão perdidas por falta de velocidade na prevenção contra a Covid-19. O equilíbrio entre a saúde e a economia sempre foi deixado de lado. Este equilíbrio indicava que seria preciso proteger parte da população, mas também se fazia necessário permitir que a economia andasse.

Perdemos tempo, desperdiçamos recursos e energia e agora, sem insumos para dar sequência na fabricação das vacinas já aprovadas pela Anvisa, o Brasil e os brasileiros pagarão um elevado preço. O primeiro e mais precioso preço a ser pago serão as perdas de vida. O segundo será o agravamento do desemprego, e com ele a potencialização das questões sociais. Já foi o tempo em que tínhamos estadistas com "E" maiúsculo, que conseguiam antever a relação de causa e efeito. Os impactos na economia serão sentidos no consumo das famílias. Sem renda, reduzirão a demanda por bens e serviços. Também serão sentidos no nível de investimento privado. Sem perspectivas de curto prazo e dúvidas no médio e longo prazos, estes investimentos serão adiados e até canalizados para outros países mais "previsíveis". O setor externo brasileiro poderá até tirar vantagens na retomada da economia no resto do mundo, mas o volume que isso representa será insuficiente para dar robustez ao nosso desempenho econômico.

Sem dúvida a vacinação em massa dos brasileiros faria com que as duas principais variáveis que impulsionam o crescimento econômico, o consumo e investimentos, levassem o Brasil a alcançar mais do que a previsão do crescimento médio mundial, ou seja, acima de 4%. Considerando todos estres entraves no tocante aos insumos das vacinas, os agentes econômicos se retraem e o resultado será um crescimento menor do que o possível e necessário.

Tudo indica que este ano o Brasil crescerá economicamente, contudo, como já colocado, este crescimento poderia ser muito maior, atingindo diretamente o nível de emprego e geração de renda dos brasileiros. Por fim um grito de quem quer o bem do Brasil: políticos de plantão pensem no coletivo, deixem suas diferenças de lado, superem suas vaidades e façam, em conjunto, o que for necessário à população brasileira. Sejam estadistas para, efetivamente, salvar vidas e a economia. Estamos clamando para evitar mortes desnecessárias provocadas pela falta de assistência médica e prevenção, e clamando pela sobrevivência da economia, principalmente aos afetados nos negócios e no emprego.

O autor é economista, presidente da Acib.