09 de julho de 2026
Geral

Alunas de grupo do Observatório da Unesp Bauru descobrem 2 asteroides

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Com apenas 16 e 17 anos, duas alunas da rede estadual de ensino e que fazem parte de um grupo de estudos do Observatório Didático de Astronomia da Unesp Bauru descobriram nada mais nada menos que um asteroide cada uma. Os corpos celestes foram notificados à Nasa após serem flagrados, neste início de ano, por Micaele Gomes, de São José dos Campos, por e Laura dos Santos Dias, de São Paulo. Ambas participam de um projeto de iniciação científica supervisionado pela bauruense Helena Ferreira Carrara, graduanda de Licenciatura em Física.

Micaele, Laura e outros estudantes vasculharam várias imagens fornecidas por um avançado telescópio do projeto Pan-STARRS1. O equipamento, com quase 2 metros de diâmetro, fica no alto de um vulcão inativo de cerca de 3 mil metros de altitude no Havaí, nos EUA.

Graças a este projeto, chamado "Caça Asteroides", descobertas astronômicas originais podem ser feitas por pessoas comuns que desejam contribuir com a ciência.

'RECONHECIMENTO'

Supervisora da iniciação científica, a bauruense Helena Carrara conta que a emoção pelas descobertas foi muito grande. "Não tenho nem palavras para explicar o que isso significa para nós. É um grande reconhecimento. Estou muito orgulhosa deste feito", resume a universitária, de apenas 22 anos, que sonha em seguir desbravando a astronomia.

A graduanda pela Unesp de Bauru explica que criou o projeto em 2020 e que os estudantes que fazem parte dele, como a Micaele e a Laura, são chamados de "cientistas cidadãos".

Eles, inclusive, podem atuar em diversos programas nacionais e internacionais. Micaele, Laura e Helena participaram do International Astronomical Search Collaboration (Iasc), coordenado pela Nasa.

PAIXÃO POR ASTRONOMIA

Micaele é aluna da Escola Estadual Professor Estevam Ferri, de São José dos Campos, e também é apaixonada por astronomia. Ela revela que pretende ser cientista e pesquisadora na área da astrofísica e, quem sabe, uma engenheira aeroespacial. "Estudar o universo, descobrir e fazer coisas novas é uma das coisas que mais gosto de fazer e vejo muita relação nestas duas profissões", comenta.

A adolescente analisou diversos conjuntos de imagens, percebendo que um pequeno ponto na imensidão do espaço, relativamente próximo do Sol, estava se deslocando. A posição do corpo celeste com relação à Terra e ao Sol levará um tempo para ser medida. Helena estima que demorará entre 3 e 5 anos. Só então, com estes dados obtidos com precisão, Micaele poderá oficialmente dar nome ao asteroide. Até lá, ele, que já foi colocado na lista de descobertas no site do Iasc, é chamado temporariamente de "P11bEV1".

Quando sua órbita for definida, o asteroide será catalogado pelo Minor Planet Center (Harvard) e sua descobridora, Micaele, poderá escolher o nome definitivo. Em seguida, o "batismo" será levado à União Astronômica Internacional (IAU), órgão máximo da Astronomia no mundo, em assembleia internacional. A jovem vai utilizar o tempo de pesquisa para escolher, com calma, um nome especial.

Micaele acrescenta que foi a realização de um sonho e o começo de muitos outros que ainda virão. "Desde o meu primeiro contato com a ciência, eu sabia que queria contribuir para o meio científico, seja pela democratização da área acadêmica, incentivando mais meninas e estudantes de escolas públicas na ciência, ou por estudos relevantes que eu poderia produzir posteriormente. Mas, nunca imaginei que poderia descobrir um asteroide", conclui.

META E SURPRESA

Já Laura dos Santos Dias, de 17 anos, estudante da Escola Estadual Professor José Vieira de Moraes, em São Paulo, conta que, apesar de ser uma meta descobrir um corpo celeste, a realização foi uma ótima surpresa. "Foi algo surpreendente. Desde o início, já tinha como objetivo encontrar um asteroide. E creio que não foi só pelo meu sonho, mas também por como a instrutora do projeto me motivou", relata.

Ela também descobriu o asteroide pelo mesmo telescópio do projeto Pan-STARRS1. E, assim como Micaele, o corpo celeste revelado por Laura conta com um nome provisório: "P11bNcu".

Questionada sobre como será a denominação oficial, ela vai prestar uma homenagem a alguém muito especial. "Eu iria colocar Laura, mas descobri que já havia um asteroide batizado com meu nome. Então, pretendo batizar em homenagem à minha mãe: Rosilene".

E o que a adolescente pretende para o futuro? Laura, que já provou que consegue conquistar seus sonhos mais altos, quer seguir carreira como astrônoma ou se formar em Filosofia.