Demorou um pouco, mas ela chegou. A vacina contra a Covid-19, enfim, deu as caras por aqui. A tal CoronaVac foi capaz de "ressuscitar" duas coisas: o MC Fioti, com o funk de 2017 "Bum Bum Tam Tam" (por conta do Butantan), e a esperança de dias melhores.
Impossível - a não ser para os negacionistas de plantão - não se emocionar com as cenas de todas as cidades imunizando os seus primeiros munícipes. Tirando o tom político envolvido, foi lindo de ver aquelas espetadas nos braços.
Em Bauru, o primeiro vacinado foi José Luiz Magalhães, auxiliar de enfermagem, de 66 anos, que venceu a forma grave da doença no ano passado. A "fuçada" repórter do JC Marcele Tonelli conseguiu encontrar uma imagem do José, bastante debilitado, enquanto estava internado lutando contra a doença. Muito diferente daquele senhor risonho que se preparava para entrar para a história de Bauru.
Antes de receber a vacina, seo José chegou a dar uma sambadinha. Merecido! Para quem enfrentou essa enfermidade terrível e agarrou a vida com unhas e dentes, nada melhor do que poder 'sambar na cara' da Covid.
Mas e agora, José? Podemos retomar nossas vidas? Não. A ciência já deixou claro que não. Precisamos seguir com a nossa "armadura" de distanciamento social, máscaras e álcool em gel. Na manchete de hoje do JC, especialistas ouvidos pela repórter Tisa Moraes fazem o alerta: não deixem que a sensação de segurança se torne falsa sensação de segurança e, assim, impulsione o afrouxamento das medidas preventivas.
A situação da nossa cidade - e também da região - é grave. Fala-se em "colapso" da rede hospitalar. Por volta das 18h deste sábado (23), 69 pessoas - isso mesmo! - esperavam por internação em Bauru. Além da superlotação, as equipes de saúde estão esgotadas. E a pandemia dá sinais numéricos, dia após dia, de avanço.
Então, pessoal, não é questão de ser pessimista. A vacinação, com certeza, trouxe esperança. Mas não vamos deixar que ela seja a última a morrer. E nem a primeira. Vamos manter a esperança viva. Para isso, mais do que nunca, é preciso que a população faça a sua parte. Para isso, mais do que nunca, é preciso que o poder público faça a sua parte - seja nas fiscalizações, no regramento necessário e na abertura de leitos.
Só assim, poderemos, em um futuro próximo, dançar para celebrar a vitória. Seja ao som do samba do seo José ou do funk do MC Fioti.
O autor é editor do JC, jornalista responsável da TV USP Bauru e especialista em Linguagem, Cultura e Mídia.